O ponto de partida para uma trajetória profissional com bons resultados, é ter um bom plano para sua carreira. Diante do atual cenário econômico; do crescimento acelerado da globalização e da internacionalização de empresas, alguns profissionais brasileiros recebem propostas para missões internacionais e outros passam a ter alguns degraus a mais na sua trajetória profissional até o alcance dos seus objetivos. Quando digo degraus, me refiro a vivência internacional, ou expatriação; e incluir ou não esses degraus no plano de carreira, é algo que diz respeito aos planos individuais de cada profissional, mas antes de pensar nessa im/possibilidade, vale a pensa refletir sobre os pós e contras dessa decisão.
A primeira vista, aceitar a vivência internacional parece dar ao profissional o direito de criar expectativas de crescimento profissional; além de uma posição mais competitiva perante seus colegas de trabalho; também parece desenvolver competências diversificadas; proporcionar uma experiência grande ao lidar com culturas e diversidades; e obter maiores rendimentos financeiros; além de claro, tornar um profissional mais apto para ocupar posições competitivas dentro da empresa. Depois de pensar nos pontos positivos, é hora de pensar se realmente essa estratégia está ou não de acordo com o SEU perfil profissional. É preciso analisar seus gostos, seus interesses, seus objetivos, defeitos, características pessoais e limitações. Encarar uma expatriação se você está tão acostumado com os almoços de domingo na casa da família; ou se o cônjuge terá que deixar sua vida profissional para acompanhá-lo; ou se os planos de ter um bebe ainda fazem parte da sua vida à curto prazo; é realmente uma atitude não muito adequada.
A carreira internacional precisa ser discutida pensada, planejada, preparada e desenhada. Discutir com a família é extremamente adequado; pois apesar de você conquistar muitas vantagens; você pode também afetar sua vida pessoal, numa viagem sem volta já que a expatriação trás consigo desafios complicados tanto para o expatriado, quanto para a sua família.
Pensar sobre qual a sua expectativa com relação à internacionalização da sua carreira, é um outro ponto importante. Conheço casos em que profissionais abriram mão da vida que tinham no país de origem, para viverem alguns anos dedicados à empresa em um pais diferente; mas suas expectativas não foram atendidas. Em um dos casos, o profissional não considerou suas desabilidades pessoais em lidar com culturas e rotinas diferentes e acabou solicitando o seu retorno antes do período; quando voltou à empresa, a expectativa da promoção foi adiada. Em outro caso a expatriação era muito mais um sonho, do que uma ação concreta dentro do plano de carreira do profissional; mas esse sonho virou um pesadelo quando o cônjuge decidiu pelo retorno prematuro devido à dificuldade de adaptação.
O auto conhecimento é fundamental para consagrar um profissional de sucesso, pois o desenvolvimento pleno de um profissional só acontece quando ele sabe seus pontos fortes e fracos e sabe encarar os desafios certos de acordo com suas habilidades e competências. Para se ter sucesso profissional, é preciso sim passar por desafios e lutar para alcançar o ideal projetado; mas é preciso, de acordo com os seus valores pessoais (considerando também os valores familiares); analisar os pós e contras da carreira internacional.
* Graziele Zwielewski é Administradora e Psicóloga Cognitivo Comportamental;
Especialista em Gestão Internacional.
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