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Quem vai me dar uma luz?

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"A sobrevivência está se tornando complicada". Essa frase retrata duas realidades: primeiramente a sobrevivência de empresas em mercados altamente turbulentos e criados por uma economia global; segundo a sobrevivência de expatriados que enfrentam o novo e o desconhecido, sem nenhum manual de instrução.
Mas que benefícios organizacionais são esses que justificam o investimento milionários na transferência internacional de pessoas e alto risco de frustração? Muitos são os motivos para uma empresa expatriar seus funcionários, entre eles pode-se citar a abertura de novos escritórios internacionais; o desenvolvimento de um projeto local; a instalação de novas tecnologias; exportação de técnica ou conhecimento especifico; perda temporária de expertise local; desenvolvimento de carreira do funcionário, liderança global e desenvolvimento do negocio, desenvolver uma visão de negócios a longo prazo, transferir conhecimentos, inovar, aproximar culturas... quer mais? Tem mais... mas acho que já é o suficiente para justificar um olhar mais cuidadoso e zeloso sobre esses profissionais.
Imagine você, entrando em um quarto escuro e ainda com os olhos vendados. Claro que ao entrar você se sente inseguro se não o conhece e não foi informado do que lhe espera. É necessário alguém que lhe tire as vendas, é necessário um feixe de luz, uma lanterninha para que o expatriado consiga se sentir seguro o suficiente para encarar as diferenças e entrar no país desconhecido.
Será que os cuidados tomados estão sendo suficientes para preservar a identidade do expatriado e a solidez da sua família? Será que a forma atual do RH cuidar de seus expatriados tem sido eficaz? Famílias reclamam por se sentirem alvos de preconceitos; outras dizem não saber lidar com os filhos adolescentes que deixaram pra trás amigos, namorada. Além disso, muitos projetos pessoais são adiados.
Em leituras e conversas com expatriados vivendo no Brasil, encontro uma historia que me chama a atenção: "Dra, o meu colega de trabalho me disse na sexta feira: "Passe lá em casa com sua esposa!". Assim que sai do trabalho, busquei minha esposa e fomos para a casa do meu colega. Me senti mau recepcionado, eles tinham um compromisso, mas como me chamou para visitá-lo se já tinham compromisso?Eu estou me sentindo excluído.". Percebe que o "passe lá em casa" não quer dizer "Passe agora lá em casa", mas sim "Passe qualquer hora la em casa". A interpretação de um Sueco é diferente e porque? Puramente cultural.
Também encontro casais que se separaram; projetos pessoais adiados; filhos que viveram na ponte aérea e deixavam seus pais de cabelos em pé; esposas depressivas pela síndrome do "não tem o que fazer"... sim, imagine você, trabalhador brasileiro, trabalhando 8hr/dia, tendo sua rede de relações e encarando o trabalho como mais uma fonte de satisfação e realização. Agora imagine-se abandonando a toda a tua realidade para acompanhar seu cônjuge a um pais diferente por alguns anos. Lá... uma língua diferente, um povo estranho pra você e nenhuma expectativa de emprego. Ah, sei que muitos (talvez muitas principalmente) adorariam passar dias no shopping, dias conhecendo lugares novos, dias passeando por pontos turísticos, saboreando gostos, sentindo cheiros, conhecendo culturas de um povo diferente... sim, a fase do encantamento é deliciosa e não posso negar. Estão todos atarefados com a mudança, eufóricos em conhecer a nova cultura, ocupados com a compra do carro novo, tantas descobertas! Mas, os dias se passam, você começa a não entender esse novo lugar, começa a querer tua casa, teus semelhantes, teus pontos de segurança e satisfação (amigos, trabalho, esportes, família...) mas nada disso vai junto com você. Eu não estou falando de passar meses fora, mas sim anos, 2 no mínimo... assusta?
Ah, não! É só buscar realizações no outro pais. Sim, mas como? Não sei onde posso e nem o que posso em um lugar com pessoas tão diferentes, não falo como eles, eles são diferentes (ou eu sou diferente deles?), não sei se o que eu vejo é o que eu entendo, não sei se o que entendo é o que vejo. Falta uma lanterna pra explorar esse quarto escuro, faltam pessoas no meu dia a dia, falta a TV a cabo e a revista que eu tanto gostava... Quero minha casa e minha vida de volta.

 

* Graziele Zwielewski é Administradora e Psicóloga Cognitivo Comportamental;
Especialista em Gestão Internacional.
(48) 8842 0165
grazizw@yahoo.com.br

Comentarios (7)

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Uma pena que vocês (com excessão do Charles) não deixaram o contato. Mas muito obrigada pelos comentários e aguardo mais visitas de vcs.

Graziele Zwielewski , maio 29, 2010
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"É necessário alguém que lhe tire as vendas, é necessário um feixe de luz, uma lanterninha "
"não sei se o que eu vejo é o que eu entendo, não sei se o que entendo é o que vejo. Falta uma lanterna pra explorar esse quarto escuro, faltam pessoas no meu dia a dia"
Só tenho uma definição para o que voce escreve: Suave e intenso, é ditero; é com certeza o que se espera ouvir.
Gostei!
...
Eita tema complicado esse! Eu já vivi na pele todos estes medos e receios que foram citados acima. Consegui sobreviver, gracas a Deus sem maiores problemas.

Mas, é bom pensar em tudo antes de tomar qualquer dicisao, largar tudo e partir para algo totalmente novo sem saber se vai dar certo é complicadíssimo. Eu incluir literalmente as palavras de Clarice Lispector em minha vida desde que vim morar na Alemanha.

...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Adorei seu texto, muito bom!
Luciana , fevereiro 06, 2010
...
Para minimizar os impactos de mudanças de paises com culturas diferentes é importante o papel dos programas de coaching especificos para expatriados aplicado antes de sair do pais logo quando chega no destino. Tanto para o (a) executivo (a) como para a (o) esposa(o) que as vezes abandona uma carreira para acompanhar o parceiro.
Mirian Zacareli , novembro 28, 2009
...
Muito bem escrito, sucesso.
Otaviano Frota , julho 22, 2009
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Parabéns !!!
Marcelo Ruiz , julho 16, 2009
...
interessante demais esse texto muito bom!!!

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Carreira Internacional - Bibliografia

Graziele Zwielewski

Administradora e Psicóloga Cognitivo Comportamental; especialista em Gestão Internacional. Participou de diversas rodadas de negócios internacionais e preparação de executivos para lidar com diferenças culturais. 
Clique aqui e saiba mais sobre Graziele Zwielewski.
Graziele Zwielewski

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