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Avaliação por competências - sem evidências, vira sentimento.

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Escrevo este texto para os profissionais que lideram equipes.

Liderança é um tema amplamente comentado. Tanta coisa cabe nesse tema que se somarmos tudo o que já  foi escrito só no Brasil, certamente teremos uma biblioteca completa.

Porém, gostaria de dar foco à um ponto que considero chave no exercício da liderança. Refiro-me ao acompanhamento individual da performance dos colaboradores da equipe.

Liderar dá trabalho. Ajudar os colaboradores na busca do melhor aproveitamento de seus recursos não  é algo tão simples.  Até porquê,  nem o próprio profissional se conhece de forma absoluta.

E é aí está que está  chave da questão. Como ajudar seus colaboradores a se conhecerem melhor?  A reconhecerem quais os aspectos que precisam melhorar e como usar aquilo que têm de melhor à favor dos resultados?

Considero o processo de avaliação por competências a principal ferramenta para essa conquista, desde que bem aplicado e baseado em uma refinada aplicação de feedback com base em evidências de atitudes.

O que tenho percebido nas empresas através dos processos de coaching é um alto investimento em softwares para aplicação das avaliações, porém com pouca atenção ao feedback.

Sistematicamente, checo junto aos meus clientes a mensagem que ficou das devolutivas que receberam nas avaliações e é muito comum perceber que o cliente não absorveu aquilo que realmente é esperado dele pelo seu superior.

É comum ver líderes “cumprirem” tabela, correndo atrás dos prazos apresentados pelos RH e aplicarem as avaliações na última hora.

Mesmo diante de líderes preocupados com o desenvolvimento de seus colaboradores,  percebo uma baixíssimo grau de absorção das avaliações recebidas pelos avaliados.

Porque isso acontece?

Identifico uma razão simples. Até  mesmo óbvia, mas pouco praticada.

O significado daquilo que o líder espera de seu colaborador não tem se ajustado ao entendimento que fica ao avaliado.

O avaliador (líder) apresenta os traços de comportamento que percebe de seu colaborador, descreve esse comportamento. O avaliador, por sua vez tem a compreensão daquela descrição e dá o ok! desse entendimento. Acontece que mudança de comportamento não se dá por processamento meramente cognitivo.

É preciso que o avaliado tenha uma compreensão também no âmbito emocional. É preciso que ele sinta efetivamente como está se colocando, como está processando as situações, tomando suas decisões.

Para isso, é necessário que ele “reviva” situações concretas que tenha passado, relacionadas às competências que estão em questão na avaliação.

O uso de evidências concretas na devolutiva proporciona essa experiência.  Ao apresentar ao avaliado uma situação que tenha sido vivida por ele e que esteja relacionada àquele conteúdo da avaliação, o colaborador “revive” a situação e contextualiza o aspecto que está sendo apresentado pelo avaliador.

Sem evidências,  fica-se apenas no sentimento e na percepção subjetiva do avaliador, levando, inclusive, à um risco significativo de erro de avaliação.

Portanto, sugiro aos líderes que busquem ilustrar com evidências concretas aqueles traços que espera que seu  colaborador evolua.

Para isso, será necessário que passe a observar com mais atenção diariamente cada um dos colaboradores da equipe.

Procure também registrar em suas anotações aqueles acontecimentos importantes, em poucas palavras. Basta apontar a situação e a competência envolvida. Isso facilitará muito no momento da devolutiva, pois não precisará ficar refém de sua memória.

Experimente e veja que o resultado concreto virá com muito mais profundidade e rapidez.

Maurício de Paula

Coach

Comentarios (2)

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...
Olá Maurício!
Gostei muito do artigo e já apliquei-o na primeira avaliação de desempenho por competências como gestora.
Realmente o feedback é uma poderosa ferramenta para desenvolver a equipe, o que não é fato para muitos gestores, que acham a pricipal ferramenta "o formulário de avaliação de desempenho", resultando na subjetividade, consequentemente sentimentos.
Abs
...
Olá, Maurício!
Muito bom!

Concordo que "nem o próprio profissional se conhece de forma absoluta", mas ninguém se conhece de forma absoluta, porém para tomar uma decisão, e a decisão passa pela inteligência, e esta dpende de fatores emocionais, os quais estão ligados a ação do inconsciente, creio que dependendo do nível de assujeitamento ao próprio inconsciente o gestor poderá implicar com mais ou menos objetividade seus liderados. A implicação (responsabilzação) sustentada pelo inconsciente do gestor na sua tomada de decisão irá facilitar uma mudança de comportamento, a qual de fato não se dá por processamento meramente cognitivo. Assim, em seu ato, ao apontar a situação e a competência envolvida o efeito será marcantemente implicador.
Pois irá "forçar" uma associação à situações concretas que o liderado tenha passado, relacionadas às competências que estão em questão na avaliação.

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Maurício de Paula

Um dos primeiros profissionais a atuar como Coach no Brasil, iniciou a montagem de metodologia própria em 1997. Coach de executivos e Psicólogo, com pós-graduação em Desenvolvimento Gerencial para Executivos e especialização em orientação profissional .
Clique aqui e saiba mais sobre Maurício de Paula.
Maurício de Paula - Coach

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