*Por Lilian Simões
Recentemente tive a oportunidade de diagnosticar, durante 15 dias, um grande número de colaboradores em uma empresa na área de diagnósticos. O objetivo do RH da empresa, aliás, um objetivo inteligente, era 'mapear' seus colaboradores para identificar a 'força real de falantes da língua inglesa' e entender para onde, como e por quanto tempo direcionar investimentos para o treinamento na segunda língua.
O mais interessante foi a amostra colhida entre os mais de 100 diagnósticos! Cito aqui alguns exemplos de conclusões: a maior parte dos que se encontram no nível pós-intermediário ou avançado não tem muita consciência da qualidade e extensão de suas conquistas no segundo idioma, dando inclusive a sensação de que não sabem como o conquistaram. O maior número de candidatos, mais de 30%, considerando que são 6 níveis, encontram-se no nível Intermediário e desses, a maior parte mantém muitas estruturas ainda a serem consolidadas.
O resultado mais gratificante, lembrando que não dou mais aula, mas SOU uma professora (não estou, mas sou!) foi perceber que aqueles que alcançaram os níveis mais altos mantiveram durante anos. Muitos deles sem saber qual resultado colheram ou colheriam um ritmo cadenciado de exposição ao idioma, como cursos 'de verdade', lição de casa, exercícios extras, leituras, viagens, músicas ou outras atividades.
Aqueles que se mantêm por longos anos no 'nível Intermediário', muitos 'não entendem' o porquê não conseguem sair desse ponto... Então, eu vou contar, de forma descomplicada o porquê não dá para sair daí! Não sou engenheira, mas de tanto escutar, aprendi que, na construção de um prédio, o que existe de mais sólido é a fundação, ou seja, a base de tudo, segurando, dando suporte para o que vem depois. Uma fundação mal projetada ou mal executada trará certamente problemas futuros.
Se na primeira parte dos estudos não for levada a sério a aprendizagem de toda a fundação: do verbo TO BE aos tempos (presente, passado, presente 'contínuos', presente perfeito), quando alcançar a metade do nível Pré-Intermediário ou início do Intermediário todo o conteúdo colocado na 'fundação malfeita' não vai se sustentar. Lá vai você trocando o uso do 'did', da 3ª pessoa do simple present, esquecendo-se de colocar o 'am' na frase 'I am working on a new project...' Sem contar a pronúncia que normalmente é deixada para trás, por ser lapidada se a 'sorte' trouxer um professor que entenda disso!
E assim, muitos estudantes de um segundo idioma se sentem 'burros', incapazes ou inapropriados para aprender. E eu tenho às vezes vontade de sair gritando: 'espera, não é nada disso... você pode sim falar este idioma... Isso não tem nada a ver com inteligência ou capacidade e sim com exposição ritmada e 'pensada'... Tem tudo a ver com 'fundação'!
Fica como saída para a bagunça em que seu idioma está: faça um Diagnóstico com alguém que possa dizer qual é o estado de saúde ou qual é a real qualidade de 'sua fundação' e quais são os movimentos que você poderá fazer para conquistar as alturas! Enfim: como dizia Aristóteles, 'Conhece-te a ti mesmo' e conheça com familiaridade o idioma que você já absorveu e avance o tal, o famigerado Intermediate!
Bons estudos!
* Lilian Simões, diretora da Essential Idiomas, consultoria especializada em idiomas para executivos













