Quando meu filho era pequenininho (hoje ele é bem grande), lia para ele, todas as noites com gestos e entonações, um livro de uma bruxinha vestida de roxo. Na obra dizia a cada obstáculo que encontrava: ‘Eu tenho medo, muito medo, um medo imenso...' nessa frase, eu enfatizava a palavra ‘imenso', deixando-a imeeensa.
Lembrei-me dessa passagem, porque, no início de todos os anos letivos, temos vários diagnósticos de inglês para fazer. Por decisão de início de ano ou não, o número de novos candidatos iniciantes de cursos de idioma chega a triplicar (ótimo). Bem, com os diagnósticos concluídos, deparamos com ‘o de sempre': adultos têm muito medo de aprender um segundo idioma quando não viveram essa experiência na ‘tenra' idade.
Longe de ser um julgamento, isto é um fato - faz 22 anos que acompanho junto aos candidatos a cursos de idiomas quais são suas necessidades, vontades, dificuldades... e o medo é um fato que acompanha muitos dos futuros alunos adultos. Na maior parte das vezes, esse medo é confundido com falta de capacidade, habilidade, inteligência. Escuto de muitos: ‘eu gosto, eu preciso, mas não consigo conquistar o objetivo... ‘Alguns dizem: ‘acho que não nasci prá isso'... Medo, medo, medo, medo e me vem à cabeça como uma resposta a música do Caetano: ‘tempo, tempo, tempo, tempo...'.
Outro dia dizia a um dos futuros alunos que, por incrível que pareça, para se aprender um segundo idioma não é necessário ‘ser inteligente', porém é necessário ‘se expor' ao processo - asy de simple! Minha amiga de magistério tirava 10 em quase tudo e eu... deixa pra lá. Mas quando se tratava do idioma que estudávamos, eu me sentia muito mais à vontade, pois desde pequena ‘brinquei' com palavras e o inglês nunca foi um bicho de sete cabeças em minha vida.
Então, voltando aos diagnósticos, meu convite aos adultos que necessitam e querem imensamente falar o inglês, porque o ‘mercado não está para peixes monolíngues', é: descubra o porquê de você até hoje não ter levado este idioma tão a sério, descubra o que impediu você de completar a experiência, observe como seu filho aprende o primeiro idioma... procure onde mora o seu medo. O convite é adotar um novo olhar para ‘a aula de inglês', ‘de alemão', 'de francês', ‘de espanhol'.
Nesses 22 anos temos acompanhado pessoas que inicialmente tinham grande medo, mas que decidiram, em muitas vezes, com o pensamento de ‘é agora ou nunca mais', e com empenho, se expondo, fazendo suas tarefas, conseguiram conquistar em 2, 3 anos uma fluência incrível. Se esses alunos são superinteligentes ou não? Não questionamos sobre esse aspecto, mas percebemos que o ‘momento da entrega chega' para todos.
Entregue-se ao seu segundo idioma, experimente fazer isto. Se você colocar a roda para girar no ritmo do tempo de aprender, você vai ver como ela vai pegar velocidade.
Bons estudos.
* Lilian Simões - diretora da Essential Idiomas, consultoria especializada em idiomas para executivos













