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Gestão de Carreira, Coaching e Mentoring
 

Por favor, colega.

*Dulce Ribeiro
Ambientes de trabalho onde circulam por todos os cantos os ares da educação, da gentileza, do respeito às diferenças precisam ser estimulados. Acontece que iniciativas nesse sentido vêm, muitas vezes, de cima para baixo, quando a empresa “decide” que os colaboradores deverão ser simpáticos e assim trabalharem de bom humor.
“Baixo astral e mau humor não têm lugar aqui” comentou enfurecido o gerente. Nesse caso, o exemplo da liderança pode não mobilizar o bom humor, tornando,ao contrário, o ambiente pesado. Além disso, o estímulo à acirrada competição interna, - acredito que a pior concorrência está dentro e não fora das empresas, tem levado alguns a se tratarem mal no trabalho, tornando o seu próprio cotidiano um inferno.
Chegar de “cara feia” para trabalhar é munição para um dia inteiro de guerrinhas internas e de outras tantas “caras feias”. O sentimento é contagiante. Acessos de riso e de estupidez podem se multiplicar rapidamente e contaminar todo o ambiente.
É evidente que quem tem prazer naquilo que faze, por exemplo, trabalha em contato com o público e gosta de pessoas, terá vantagem sobre outros que estão ao lado, olhando o relógio e não vendo os ponteiros se mexerem.
Assim, a pergunta é: como é possível mudar o clima no trabalho? Bem, se o baixo astral vem do líder, as coisas ficam um pouco complicadas, pois a pressão é maior. Porém, quando o clima entre os colegas está tenso, com muitas tarefas para serem feitas, pouca gente para executá-las, é preciso dar uma boa respirada, quem sabe uma volta na quadra, telefonar para um amigo engraçado, sempre tem um, procurar um colega para rir da própria desgraça, enfim, tentar ultrapassar as nuvens pretas e ver o sol de novo.
O ambiente pesado torna as coisas mais difíceis. Vivemos uma crise de “isso não é comigo”, de “estou fazendo a minha parte, o outro que se dane”, que acabamos reduzidos a uma visão de mundo do tamanho do nosso umbigo. Um pouco pequena, não é mesmo? Além disso, a escassez de expressões como “desculpe”, “obrigada”, “posso lhe ajudar?”, “conta comigo”, “parabéns”, “que bom que você conseguiu”, andam escassas. Segurar a porta do elevador e deixar passar na frente é uma atitude desconhecida para muitos. Imagine, então, atender ao telefone do colega que está tocando na mesa ao lado? “Nem pensar, tenho mais o que fazer” é o que muitos pensam. “Quebrar um galho”, substituir uma folga, dar um recado, esperar para almoçar juntos, apagar a luz ao sair, fechar a torneira enquanto faz a barba ou lava os dentes, carregar os pacotes para a irmã ou esperar de bom humor, um amigo que se atrasou são, hoje em dia, atitudes de respeito e de cordialidade oriundas daqueles que são pós doutores em educação. Uma elite no mercado onde tirar vantagem, enganar, fazer de conta que não viu são estratégias imprescindíveis para conquistar objetivos profissionais propostos.
No entanto, sabe-se que o bom humor, a gentileza e a solidariedade formam um equilibrado tripé para aqueles que desejam se manter no mercado. A armadilha é que a educação que cada vez menos se encontra, aparece como um valor de muita liquidez no mundo dos profissionais e das empresas que pretendem competir daqui para frente.
Por favor, pensem nisso! E... Muito obrigada. 
Dulce Ribeiro
Consultora em Gestão de Pessoas

 

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