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Tipos de chefe

 

Armando Correa de Siqueira Neto*

Os tipos de chefes existentes são variados, apesar de ocuparem lugares estratégicos nas organizações e, por esta razão, serem fundamentais para os colaboradores. Embora os empresários saibam da relevância que tem uma boa liderança, demonstram, em muitos casos, total deficiência na escolha que fazem a respeito de quem liderará as pessoas que trabalham em suas organizações. Os resultados são igualmente desastrosos nestes casos, e uma alteração urgente deve ocorrer para evitar maiores distúrbios internos, tais como o péssimo clima organizacional, o baixo retorno de vendas, comunicação obstruída, fragmentação dos departamentos e criação de feudos movidos por egoísmo e infantilidade, etc. Os estilos de chefia podem receber o nome de pessoas, lugares e situações famosas, as quais, retratam ricamente cada perfil aqui descrito. Existe o chefe Pôncio Pilatos, que lava as mãos em relação aos problemas pessoais e profissionais de seus funcionários. Ele nunca pode colaborar porque está sempre ocupado. Afinal, é uma pessoa muito importante e, portanto, o seu tempo é precioso demais para ser dirigido a finalidades triviais. No entanto, as pessoas que dependem deste tipo de chefe, sentem claramente o descaso e o abandono e passam a resolver as suas questões sozinhas, ou ainda, recorrem a outros que as ajudem. Quando o chefe Pôncio Pilatos descobre que outras pessoas colaboram com os seus funcionários, ele fica louco de raiva e convoca uma reunião particular, na qual ele se mostra chateado com atitudes que magoam, vez que o seu papel é estender auxílio para os seus próximos. Este fato se explica pelo medo que este tipo de chefe tem em ser percebido como uma pessoa egoísta e de baixa atividade de liderança e, conseqüentemente, correr o risco de ser trocado facilmente por alguém melhor.
Há o chefe Coliseu, que adora ver o circo pegar fogo. Os trabalhos em grupo são a grande oportunidade de ver as discussões surgirem e ganharem vulto. São verdadeiras lutas entre os gladiadores que esperam receber a clemência ao final do embate. O lugar sempre está em polvorosa e qualquer faísca faz incendiar. Trata-se de um perfil cujo temperamento é bem agressivo e pouco faz para melhorá-lo. Pensam que o seu estilo deve ser preservado pela personalidade forte que possuem, além do cargo que ocupam. A sua raiva constante domina a atmosfera departamental, levando os seus habitantes a desenvolver um sistema de defesa bastante eficiente: o ataque. As defesas humanas, quando bem estressadas agem com base no ataque para reduzir as chances de serem atingidas a qualquer momento. Tensão é a palavra-chave neste tipo de convivência. O chefe Coliseu se compraz com este alvoroço emocional e crê que o seu poder comanda o espetáculo diário. O chefe carnaval é outro modelo, cujas características são a de festividade e entusiasmo. Este tipo de chefe agita o seu local de trabalho, fazendo um oba-oba sem precedentes. Ele motiva as pessoas próximas, mas tudo isso dura por um determinado período. O seu objetivo é o de animar o lugar, esquecendo-se dos resultados, que são importantes para os colaboradores e para a organização. Inicialmente, o chefe carnaval é adorado pela animação que proporciona. Todavia, aos poucos as pessoas cansam e se sentem desmotivadas pelo baixo rendimento que oferecem. Este tipo de chefe é um bom agitador, porém, dura pouco, e o que resta da folia são apenas as cinzas que o vento leva rapidamente. Outro tipo de chefe é o Peter Pan, aquele que não cresce e não permite que os outros cresçam. Ele mantém o seu pessoal preso às suas asas. Protege-os com a espada e a valentia, levando as pessoas a crerem na sua bondade e altruísmo. Contudo, o seu egoísmo é que guia as decisões e impede que cada um cresça e desenvolva o seu potencial. O seu temor é o de perder os aliados na batalha cotidiana, e assim permanecer só na Terra do Nunca. Qualquer objeção as suas idéias será interpretada como uma rebeldia e, sem dúvida, é alguém que pretende se bandear para o lado do inimigo: o capitão Gancho. Tipos de chefe são tantos quantos revistam cada personalidade existente. Entretanto, o tipo de líder necessário é aquele que mantém proximidade com os seus seguidores, aprende conjuntamente, estimula o
crescimento, é um entusiasta mas cobra resultados porque sabe da satisfação que o ser humano tem quando atinge objetivos, entende que o conflito é necessário para que as boas idéias brotem das discussões mas não vê na agressividade uma forma de convívio, e assume os riscos de forma compartilhada, além de se comunicar constantemente, gerir o conhecimento e as mudanças e, sobretudo, é ético e vive esta virtude como um agente que inspira confiança e motivação naqueles que o seguem por vontade própria e não pela imposição. O mercado tem pressionado as organizações acerca do aperfeiçoamento de seus colaboradores. Tipos de chefes que não se adaptarem a realidade de convivência mais amadurecida e humana com relação aos aspectos sutis das relações pessoais e profissionais não durarão. A boa liderança é aquela que serve, muito mais do que é servida.

*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, consultor, conferencista e escritor. É professor de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de Limeira/SP, e de Pedagogia Empresarial pela Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu/SP. É mestrando em Liderança pela Unisa Business School.

E-mail: selfpsicologia@mogi.com.br

 

Maurício de Paula

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