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Gestão de Carreira, Coaching e Mentoring
 

Sucesso Pessoal X Sucesso Profissional

 

Paulo Angelim

CUIDADO! O mundo corporativo está cheio de armadilhas. Vira e mexe e você, se não estiver atento, acaba caindo em uma delas e sofrendo as dolorosas conseqüências do passo descuidado. Pior ainda é quando a armadilha é imperceptível porque vem camuflada de “paradigma da gestão moderna”. Desta vez, falo da indecorosa idéia de que pessoal e profissional são aspectos distintos de nossas vidas. Mais uma abobrinha promulgada diuturnamente nos corredores e salas de reunião, e vendidas em palestras e livros de auto-ajuda, que mais ajudam os seus autores.

 

Observe as frases abaixo, ouvidas pessoalmente ou extraídas de artigos:

 

- “Você deve buscar equilíbrio tanto em sua vida pessoal como profissional!”

 

- “Cuidado para não deixar que sua vida profissional interfira em sua vida pessoal!”

 

- “Esta palestra foi excepcional, tanto para a vida profissional como para a pessoal!”

 

Basta! É suficiente para constatarmos que a idéia está mais enrolada do que briga de cobra. Vamos aos fatos e ao esclarecimento. Você é uma pessoa ou um indivíduo único, com características únicas, e com duas esferas de relacionamentos: a exterior e a interior. Na exterior, você exerce vários papéis distintos. Além do profissional (empresário, servidor, funcionário, diretor, autônomo...), você exerce também o papel familiar (pai, mãe, filho, namorada, irmão...), e o social (cidadão, amigo, membro de clube ou organização...). Na interior, um único papel: o EU, formado por mente, corpo e espírito. Todos esses papéis são exercidos pela mesma pessoa, são interdependentes, e não isoláveis. É como se fossem gases que não se misturam, mas impossível de detectar suas fronteiras. Tudo que você faz em uma esfera ou papel afeta os outros.

 

A idéia de compartimentalização do indivíduo é retrógrada, arcaica e remonta aos organogramas departamentais, que criavam feudos estanques. Daí a falsa idéia de que você pode ser um cidadão, ou um pai, independentemente de ser um profissional. É como se você pudesse exercer sua profissão desconsiderando o fato de ter outros papéis. Ora, todas as experiências acumuladas por você no exercício dos outros papéis, que não o profissional, são arquivadas no mesmo corpo, mente e espírito que você também utiliza em seu trabalho. Não existem compartimentos em sua mente que alojem separadamente essas realidades. Assim, elas se misturam e vão definindo quem você é. Não vá, pelo amor de Deus, me dizer que você é a mesmíssima pessoa que era desde que entrou no seu emprego atual! É óbvio que não. E é bem possível, também, que sua atividade profissional interfira, positiva ou negativamente, em sua relação familiar, social e vice-versa. Ou seja, o tempo passa e os papéis e suas relações com os outros e consigo mesmo vão construindo uma nova pessoa. Mas tudo diz respeito à mesma pessoa, ao mesmo indivíduo. Você não pode, ou não deveria, ter valores que só valessem para um determinado papel. Fidelidade é um valor que deve valer para o casamento e para a empresa, por exemplo. Isso significa dizer que, enquanto estiverem juntos, as atenções são unicamente dirigidas para a outra parte.

 

Normalmente, as melhores empresas para trabalhar tratam os seus funcionários como seres holísticos, integrados, e valorizam o exercício dos outros papéis dentro do trabalho, ao invés de exortarem a idéia de isolarem seus “outros lados”. Sabem que fazendo isso eles não precisam ficar se negando, tentando esconder as realidades de seus outros papéis. Na verdade, elas entendem que isso é impossível e estimulam que os colaboradores busquem o equilíbrio no desenvolvimento de todos esses papéis, porque sabem que eles sinergicamente concorrem para o crescimento pessoal, ou seja, para o sucesso dos entes profissional, familiar, social e do EU (interior).

 

Fazer ginástica ou desenvolver sua espiritualidade, por exemplo, são bons para o seu corpo, espírito, mente e para suas relações no trabalho, em casa, e em grupo. Assim, não se engane: tudo que concorre para seu sucesso profissional concorre, também, para seu sucesso pessoal. E vice-versa.

 

 

 

 

 

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