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Planejar não é o perfil do empresário brasileiro

Cláudio Raza*

 O histórico de planejamento no Brasil mostra que não somos afetos a arte de planejar ou ter visão de futuro; vamos citar alguns exemplos:

-  Nossas ferrovias, transporte barato, totalmente sucateadas, compare com outros países com visão de futuro.

- Turismo, sem incentivo, sem infra-estrutura, sem pessoal treinado, um dos países mais belos do mundo para exploração do turismo; compare com países que você conhece que por menor que seja, aproveita ao máximo seus recursos e belezas naturais.

-  Nossas rodovias, sem comentários, já viajou pelas rodovias dos Estados Unidos, compare.

-   Nossos portos e aeroportos, que estado se encontram, pouca capacidade, lugares inadequados com puçá infra-estrutura.

-   Nosso sistema nacional de saúde, caos total, sem alocação de verbas sem parcerias com iniciativa privada e vai por aí afora.

-   Nosso sistema de educação, um dos piores do mundo, como vamos alcançar desenvolvimento com povo sem cultura,

Essa é a cultura dos governantes brasileiros, que infelizmente, sem visão de futuro, servem de exemplos negativos como administradores e interferem em muito na vida das empresas.

E nos administradores e empresários diariamente assistindo a tudo isso, fica um pouco difícil a mudança de atitude, mas não podemos ficar olhando para nosso umbigo, temos de levantar as cabeças e olhar para o horizonte que é nosso futuro, um dia esse país vai ser governado por administradores, com visão de futuro, é a nossa esperança.

Hoje, novamente volta-se a falar muito em Planejamento Estratégico, Gestão Empresarial, que já fazem parte do currículo escolar superior, deveria fazer parte já do curso primário, com noções de administração.

Por volta de 1975 a 1980, falava-se muito em planejamento estratégico, mas caiu no esquecimento, pois os empresários não estavam preparados e poucos se interessavam pelo assunto; mas agora 30 anos depois com a globalização e a competitividade atual, buscam-se desesperadamente soluções rápidas para não sair do mercado.

Poderíamos estar 30 anos na frente com a prática do planejamento, mas ainda é tempo de aprender e recuperar o tempo perdido.

Vamos relembrar de uma maneira bem simplificada, os princípios e os primeiros passos para se planejar estrategicamente:

Planejamento estratégico é o processo que fixa as grandes orientações que permitem às empresas modificar, melhorar ou fortalecer a sua posição face à concorrência. É uma ferramenta de apoio à gestão com vista ao desenvolvimento futuro da empresa, especificando a forma e os prazos de execução.

É a mais alta direção,  que tem a responsabilidade de definir e pôr em prática todo o processo de planejamento global da empresa. Ao definir as linhas de orientações gerais relativamente à missão, visão política e estratégia empresarial, estabelece as bases sobre as quais cada unidade de negócios individual delineará o seu próprio plano de negócios, baseado no plano estratégico global definido pela alta administração.

Passos da Elaboração
 
1. Definição dos objetivos organizacionais
A empresa define os objetivos globais que pretende alcançar  e estabelece  a  ordem  de importância e prioridade de objetivos.

2. Análise interna dos pontos fortes e fracos da empresa
A seguir, faz-se uma análise das condições internas  da empresa para   identificar   os   principais  pontos fortes  e   fracos  que  a organização possui. Os pontos fortes são as forças  que facilitam o  alcance  dos  objetivos   e  devem  ser   reforçados,   os pontos fracos  são  as  limitações  e   restrições   que  dificultam   o   seu alcance,  e   que   devem   ser   superados.  Essa  análise  interna envolve:

 - Recursos  (financeiros,  máquinas,  equipamentos,  matérias-primas,  recursos  humanos, tecnologia etc.) de que a empresa dispõe para as suas operações atuais ou futuras.

 - Estrutura organizacional , seus aspectos positivos e negativos, divisão de trabalho entre departamentos e unidades e como os objetivos organizacionais foram distribuídos em objetivos departamentais.

- Avaliação do desempenho da empresa, em termos de lucratividade, produção, produtividade, inovação, crescimento e desenvolvimento dos negócios

3. Análise externa.
 Análise   do   ambiente   externo   à   empresa,     das   condições externas  e que  lhe  impõem desafios e oportunidades. A análise externa envolve:

- Mercados     características     atuais     e   tendências    futuras, oportunidades e perspectivas.

- Concorrência  ou  competição,  isto  é,  empresas que atuam no mercado,  disputando  os  mesmos  clientes,  consumidores   ou recursos.

-  Conjuntura econômica, tendências políticas, sociais, culturais, legais etc., que afetam a sociedade e todas as demais empresas.

4. Formulação das Estratégicas
Neste ultimo passo do planejamento estratégico formulam-se as alternativas   que  a  organização  pode  adotar  para alcançar os objetivos   organizacionais   pretendidos,   tendo   em   vista    as condições   internas   e   externas.   As  alternativas  estratégicas constituem  os  cursos  de  ação  futura  que  a  organização pode adotar para atingir seus objetivos globais. De um modo genérico, o  planejamento estratégico da organização refere-se ao produto (bens  que  a  organização  produz  ou serviços que presta) ou ao mercado  (onde  a  organização  coloca seus produtos ou bens ou onde presta seus serviços).

O  planejamento  estratégico  deve  abranger  decisões  sobre   o futuro da empresa, como:

- Objetivos  organizacionais  a  longo prazo e seu desdobramento em objetivos departamentais detalhados.

- As  atividades  escolhidas, ou novos lançamentos, ou exclusões, isto   é,   os   produtos   (bens  ou  serviços )  que  a  organização pretende, produzir, lançar ou retirar do mercado

- O  mercado  visado  pela organização, ou seja, os consumidores ou  clientes  que  ela pretende abranger com seus produtos.

- Os lucros esperados para cada uma de suas atividades.

- Alternativas  estratégicas  quanto às suas atividades (manter o produto  atual,  maior penetração no mercado atual, desenvolver novos mercados).

- Interação  vertical  em direção aos fornecedores de recursos ou integração horizontal em direção aos consumidores ou clientes.

- Novos   investimentos   em   recursos   (materiais,   financeiros, máquinas  e  equipamentos,  recursos  humanos, tecnologia etc.) para inovação (mudanças) ou para crescimento

Caso você ainda não implantou um planejamento na sua empresa, tente exercitar, mas, não deixe de incluir os principais funcionários nesta empreitada, e verá que é muito melhor administrar com ajuda de um plano e a cooperação dos funcionários.

*Cláudio Raza é Administrador de Empresas, Economista, Contador, Pós-Graduado em Gestão de Pessoas para Negócio, Professor Universitário, mais de 35 anos assessorando empresas.E-mail: c.raza@terra.com.br

 

 

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