No mês de Agosto atendemos a leitora Luciana Tinoco com o tema acima. Como é um pouco amplo o estendemos até este mês. Vamos à sua continuidade...
O Perfil do Consultor Interno de RH:
A maior competencia do Consultor Interno de RH, além da vocação de gostar de trabalhar com pessoas é a predisposição de lidar com constantes desafios.
O Consultor Interno de RH é um funcionário da empresa, que até então ocupava alguma função específica na área de RH e passará a adquirir multifuncionalidade, tendo sua atuação fortalecida e ampliada. É importante que adquira uma maior gama de habilidades tornando-se multidisciplinar e conhecedor de todas as atividades da área de RH.
Tendo essa visão generalista, o profissional poderá propor uma solução abrangente, e nunca mais um cliente poderá ouvir: “Isso não é comigo!”
Na maioria das empresas, o Consultor Interno orienta quanto à forma mais adequada de recrutamento, troca idéias com o seu cliente interno quanto ao perfil profissiográfico mais adequado para cada função, apresenta ferramentas mais apropriadas para avaliar o candidato à vaga, acompanha todo o processo oferecendo Feedback para o seu cliente. Este é só um exemplo de como profissionalizar a atuação. Ter a postura de um Consultor é fazer o que é necessário, com a maior eficiência e eficácia possível, sem temer os resultados e o retorno do cliente.
O Consultor Interno de RH quem acompanha o cliente interno muito de perto. Auxilia na solução de problemas com diagnósticos, fornecendo sugestões, recomendações, opiniões e críticas, sempre orientando para a solução.
O Consultor não precisa ser um profundo conhecedor das situações a serem analisadas, mas tem que ter boa visão do que ocorre e o que passará a ocorrer com as alternativas propostas. Ex: não precisa elaborar um projeto de revisão de políticas de remuneração, mas precisa saber detectar se a insatisfação de funcionário esta no seu salário ou em outro motivo qualquer.
Implantando o processo :
Lidar com pessoas é respeitar diferenças. Afirmo que não há padrão fixo que sirva para implantar Consultoria Interna de RH, trata-se de um processo mutável e que pode atender perfeitamente às necessidades de uma empresa e não à de outras, porque as empresas são diferentes, vivem momentos diferentes e são dirigidas por pessoas diferentes.
Para Implantar um processo de Consultoria Interna de RH é primordial ter um profissional qualificado para fazer o melhor trabalho, visando atender ao Cliente Interno da melhor forma possível e em seu tempo.
Enumero, abaixo, etapas merecedoras de atenção:
1. Executar um Benchmark ( banco de informações)
Pesquisar o que as organizações afins que se destacam no mercado, na forma de gerenciar pessoas, estão fazendo em termos de RH.
2. Conscientizar todos
Para o sucesso da implantação da Consultoria Interna de RH e minimização de conflitos, é imprescindível a conscientização de todos os funcionários da empresa. Em graus diferentes, todos precisam receber, da forma mais transparente possível, as informações referentes ao objetivo, às necessidade e às conseqüências da realização desse processo.
3. Desburocratizar e Racionalizar
É mais fácil iniciar a implantação da Consultoria Interna pelo processo de desburocratização e racionalização dos processos de Administração de Pessoal. É a medida que permite que sejam eliminados os “dificultadores”.
4. Definir Políticas de RH
Somente com as políticas de RH definidas pelo órgão corporativo, o Consultor Interno terá condições de executar seu trabalho sem muitas interferências. Administrar as exceções tornará o trabalho do Consultor muito mais ágil do que se, a todo o momento, ele precisar consultar o RH corporativo.
5. Aplicar a Técnica do Job Rotation (serviço rotativo)
Consiste na rotatividade dos Consultores Internos pelas diversas áreas da empresa, no sentido de evitar que se perca a identidade funcional: o Consultor é funcionário da área de RH e parceiro do cliente. Também tem o objetivo de permitir que o Consultor enriqueça sua atuação conhecendo outras áreas da empresa.
6. Sustentar Administrativa e Funcionalmente
A sustentação é imprescindível para o processo com eficácia. Muitas empresas além de ter sistemas informatizados, contam com o apoio logísticos de analistas ou auxiliares. É importante frisar essa sustentação, pois a função do Consultor é planejar a solução das questões e atuar estrategicamente.
7. Capacitar cada profissional de RH
A preocupação com a capacitação de cada profissional de RH visando torná-los multifuncionais, para que tenham condições de adquirir uma visão generalista de sua área, podendo então atuar de forma estratégica por todos os pontos de RH.
8. Definir o Papel do Consultor Interno
O novo papel do profissional deve ficar claro logo no início, para que não aconteçam distorções no futuro. Saber seus limites, autonomia,etc. contribui para o sucesso do processo.
9. Profundo Comprometimento da Alta Direção
Qualquer programa de reestruturação numa organização só deve ser viabilizado com o significativo envolvimento da direção superior. Esse comprometimento proporcionará maior segurança psicológica a todos os envolvidos, credibilidade ao projeto e maiores chances de sucesso.
10.Tornar a Área de RH uma Unidade de Negócios
Isso dinamiza os planos de RH para que possam apoiar e caminhar junto com as atividades fins.
11. Acompanhar constantemente
A princípio são necessárias reuniões diárias para aparar arestas,contornar problemas e soluções a serem estudadas.
12. Adequar os Perfis
Designar o Consultor certo para o cliente interno, adequar a escolha ao perfil de cada um. Essa sinergia é fundamental e é o que constitui uma verdadeira parceria.
13. Valorizar a Competência Individual e Grupal
A especialidade e experiência adquiridas pelo profissional de RH não devem ser desvalorizadas. Quando o profissional se tornar um generalista, sua vivência anterior permanecerá. Respeitar as tendências grupais e as aptidões individuais.
14. Revisar e Reavaliar
O modelo é bom ser bom para a organização hoje, mas não amanhã. Constantes revisões e reavaliações do processo são necessárias para que se possa adequar-se a novas situações, tendências...
Resistências à implantação da Consultoria Interna em RH:
Todo processo de mudança gera medos e ansiedades. Isto é previsível, e está presente com freqüência nos processos de Consultoria Interna de RH.
Identificar as emoções, compreendê-las e encará-las como elementos participativos de processo normal, como um sinal de que se atingiu um ponto crítico, apoiar o cliente interno para que se expresse e não deixar que sua crítica se torne pessoal ou um ataque à competência do Consultor é um dos maiores desafios no processo de implantação desse modelo. Essa sensibilidade é essencial.
Muitas vezes as resistências estão nas pessoas com um perfil fortemente conservador e que preferem aumentar as dificuldades em vez das facilidades. Cabe à organização, além de promover um trabalho transparente de conscientização, capacitar o Consultor para lidar com as dificuldades, evitando o insucesso do processo.
Como e porque acontecem resistências
No processo de mudança, quando as pessoas estão resistindo, na realidade estão demonstrando um receio de perda do controle, do poder e da segurança. Muitos acreditam que mantêm o controle mantendo o status quo, embora isso resulte em desempenho inadequado
O funcionário que se sente ameaçado tende a compreender tudo o que vê sob a ótica do pessimismo. Trata-se de profissional que não tomam decisões com medo de errar, e quando erra, não aprende com o erro. Teme o “feedback” e a crítica.
Veja alguns exemplos de manifestação de resistência:
1.Cliente interno alega falta de tempo,cria barreira e distância - profissional que não se envolve nos trabalhos, falta a reuniões agendadas, não participa com idéias, permanece frio, e reservado.
2. Ataque ao trabalho de Consultoria Interna – questiona o tempo todo e alega não estar vendo resultados propostos, ou pressiona por soluções imediatas.
3.Profissionais alegam que outras empresas já tentaram a experiências -tentando mostrar algum insucesso anterior ou de outras empresas, esse tipo de profissional encontra uma forma de evitar a dor ou o medo causados pela nova situação que deve enfrentar.
4.Profissional com súbito processo de envolvimento - pode também ser vista como uma forma de resistência camuflada. Acompanhá-lo de perto oferecendo apoio é o mais indicado.
Para enfrentar esses dificultadores, mostre que se está buscando a solução e não só apontando problemas. Sem colocar o seu Cliente em situação delicada e de forma bastante cuidadosa, tente dizer que o comportamento resistente é absolutamente normal.
Permanecer em silêncio deixando o cliente desabafar sua ansiedade e medo, não é fácil, mas pode ser uma solução. Com o tempo, ele compreenderá e aceitará o novo modelo
Caso queiram mais informações sobre o porque alguns profissionais fracassam e dicas dos que deram certo , escrevam para mim. Até breve!
Comentarios (3)
...
...
Me identifico muito com o assunto de Consultoria Interna e gostaria que a rede de drogarias onde trabalho incorporasse essa função. Vc acha que uma farmacêutica de filial teria alguma chance em ocupar esse cargo? Conhece casos no varejo farmacêutico que já aderiram a esse tipo de consultoria?
Um grande abraço de uma admiradora do seu jeito de pensar, logo, existir.






















Obrigada,
Rita