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O STRESS E OS PROGRAMAS DE ASSISTÊNCIA AO FUNCIONÁRIO

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No mês de Junho deste ano, tive a oportunidade de ministrar uma Palestra no 10º
Congresso de Stress da ISMA-BR, e do 12º Fórum Internacional de Qualidade de Vida
no Trabalho na cidade de Porto Alegre; evento este que reuniu muitos Psicólogos,
profissionais da área de RH e de várias áreas desde a de Medicina, Saúde e Segurança
do Trabalho até as de Qualidade de Vida. Minha palestra versava sobre os Workaholics e
Worklovers.Nesta ocasião se discutiu quanto os profissionais estão submetidos ao stress.
Stress (estresse) uma palavra derivada do latim, durante o século XVII ganhou conotação
de "adversidade" ou "aflição". No final do século seguinte, seu uso evoluiu para
expressar "pressão" ou "esforço". O conceito de stress não é novo, mas foi no início
do século XX que estudiosos das ciências biológicas e sociais iniciaram a investigação
de seus efeitos na saúde física e mental das pessoas. Quem primeiro definiu o stress
sob este prisma foi o austríaco-canadense Hans Selye, conceituando-o como qualquer
adaptação requerida à pessoa. Esta definição apresenta o stress como um agente neutro,
capaz de tornar-se positivo ou negativo de acordo com a percepção e a interpretação de
cada um.
O stress positivo (chamado de eustresse) assim como o negativo, (chamado de
distresse), causam reações fisiológicas similares: as extremidades (mãos e pés) tendem
a ficar suadas e frias, a aceleração cardíaca e pressão arterial tendem a subir, o nível
de tensão muscular tende a aumentar, etc. No nível emocional as reações ao stress
são bastante diferentes. O eustresse motiva e estimula a pessoa a lidar com a situação.
Ao contrário, o distresse acovarda o indivíduo, fazendo com que se intimide e fuja
da situação. A realidade de cada pessoa é o produto de sua própria criação.As suas
emoções e a sua saúde física dependem quase que exclusivamente da sua interpretação
do mundo exterior. E quanto mais ela entende as pressões e situações que o influenciam,
melhor se adapta às suas demandas.
Infelizmente, atualmente, muitos profissionais não estão lidando bem com as situações
que os rodeiam. Estima-se que o Brasil tenha uma despesa de cerca de 42 bilhões de
dólares com problemas relacionados ao presenteísmo. A doença, causada pelo estresse
negativo, é diagnosticada naqueles funcionários que comparecem ao emprego doentes,
com problemas físicos ou emocionais, mas que continuam frequentando o trabalho com
medo da demissão ou de enfrentar o tratamento. A pesquisa, realizada pela International
Stress Management Association (Isma-BR), uma associação que estuda o estresse
e suas formas de administração, mostra que a doença é responsável pela queda no
rendimento das atividades profissionais, pelo comportamento agressivo ou passivo do
funcionário, entre outras características. Ana Maria Rossi, presidente da ISMA-BR e
coordenadora da pesquisa entrevistou cerca de mil profissionais nas cidades de Porto
Alegre e São Paulo, com idades entre 25 e 60 anos, com objetivo de avaliar as causas
e as consequências do estresse, sob o ponto de vista do profissional e da empresa. O
impacto econômico do presenteísmo tem sido significativo também para outros países.
De acordo com um levantamento feito pelo Instituto para a Saúde e a Produtividade,
as despesas norte-americanas com a doença já alcançam a casa dos 150 bilhões de
dólares.
Segundo a ISMA-BR, 89% das pessoas que sofrem com presenteísmo apresentam
sintomas físicos como dores musculares, incluindo dor de cabeça; 72% sentem cansaço;
39% sofrem de distúrbio de sono e 28% têm doenças gastrintestinais. O levantamento
apontou, ainda, doenças infecciosas como a alta incidência de gripe e a sinusite ou
desvios psicoemocionais como estresse, depressão, problemas domésticos, mau
relacionamento com chefes e desmotivação como mais alguns fatores que influenciam
nos sintomas e refletem diretamente na queda da produtividade dos trabalhadores.

Os profissionais não têm a consciência de que estão debilitados para o trabalho. Sentem-
se desanimados, irritados e cansados, mas não percebem que estão doentes. Além da
falta de entendimento sobre as sensações, observa-se também que a competitividade
organizacional e o acúmulo de funções fazem com que o funcionário atribua a isto a sua
falta de produtividade.
A prevenção e correção são indispensáveis!
Muito se fala em qualidade de vida nas organizações. Contudo, poucas são aquelas que
investem nisso. Com base na extensa lista de doenças e problemas apresentados pelos
profissionais de qualquer escalão, a necessidade da preveni-lo torna-se indispensável.
Evitar, contudo, é uma tarefa que cabe tanto ao funcionário quanto à empresa.
O profissional que consegue estar atento à saúde física e psíquica, identificando possíveis
problemas que possam atrapalhar seu desempenho, já está, de certa forma, conseguindo
resolver o problema.Mas geralmente não consegue sozinho e se consegue identificar, não
tem a quem pedir apoio dentro da empresa.
Há algumas formas de tentar coibir essa situação, como aprender a delegar as atividades
e aprender a dizer ‘não' - alternativa que nem todos conseguem adotar. Fazer pausas
curtas para descansar, usar técnicas de relaxamento e priorizar a qualidade de vida são
dicas que podem ser executadas pela maioria das pessoas.

A meu ver urge que as empresas e os administradores conscientes optem por serviços
terceirizados, como Programas de Assistência ao Funcionário, com várias áreas de
abrangência, como médica, jurídica e psicológica. Levar para dentro das corporações e
oferecer a possibilidade de atendimento psicológico aos funcionários que, por diversos
fatores tem seu rendimento profissional alterado, afetando os resultados da empresa e
que até então, não tinham acesso a este serviço diretamente é um fator decisivo para
fortalecer o "time da casa". Atendimentos realizados por Psicólogos acontecendo na
própria empresa ou fora dela pagos através de pacotes que determinem número de
atendimentos e de funcionários participantes permitem que profissionais satisfeitos
consigo mesmos, trabalhem melhor e apresentem melhores resultados. O mais
importante mesmo é que as corporações estejam atentas à saúde de seus colaboradores
e os queiram tratar. Como a sua está tratando seus colaboradores?

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Silvia Osso

Hoje Consultora Empresarial e Palestrante. Pedagoga, Psicóloga educacional e empresarial (FMU, Sorbonne e FGV). Atuou na área de Desenvolvimento de Pessoal no Unibanco, e durante 25 anos em Desenvolvimento de Pessoas na rede Drogasil.
Clique aqui e saiba mais sobre Silvia OSSO.

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