Eugen Pfister *
De volta ao passado, isto é, de volta à questão de liderar, gerenciar ou chefiar. Alguns leitores já conhecem a minha opinião, porém, vamos lá...
Resposta. LIDERE, gerencie e chefie na hora certa, na situação certa e diante dos comportamentos que requeiram este ou aquele estilo de gerenciamento.
Lidere quando se trata de criar uma coalizão de corações e mentes em direção ao futuro. Lidere quando é preciso inspirar a equipe através do (bom) exemplo do líder. Lidere quando a equipe é madura profissional e emocionalmente e, para caminhar com as próprias pernas, só precisa de diretrizes gerais e um empurãozinho motivacional aqui e alí.
GERENCIE quando se trata de organizar e administrar as rotinas de trabalho, establecer metas e prioridades, canalizar recursos e talento humano para alcançar resultados.
CHEFIE quando o moral da “tropa” está baixo e os conflitos em alta. Chefie quando for preciso disciplinar os indisciplinados, dar um basta aos incompetentes, superar as crises organizacionais que deixam todos atônitos, sem rumo ou prumo.
Adoraria estar enganado. Porém, caro leitor, olhe à sua volta e constate com os próprios olhos os benefícios da chefia na hora certa. O “dialoguismo”, o democratismo, o pisar em ovos diante dos “subordinados” na escola, na família e no trabalho geram problemas psicológicos, comportamentais e sociais graves.
Será que um professor deve pedir “pelo amor de Deus?, estudem, façam a lição de casa? Ou um gerente deve implorar para que um subordinado indisciplinado e contestador seja mais cooperativo?
Nos momentos críticos, dúvidas existênciais ou semânticas sobre se devemos liderar ou gerenciar são supérfluas e contraproducentes. A ordem é ENFRENTAR A CRISE e dar a volta por cima, nem que seja a custo de alguns berros ou pontapés nos nobres traseiros da equipe.
A despeito das lendas organizacionais, a autoridade é uma instituição fundamental para a vida social organizada. Sem ela o tecido social se esgarçaria, conforme um dito tão a gosto dos sociólogos.
Sejamos claros. Pais que não traçam limites junto aos filhos contribuem para sua desorientação moral, vocacional e outras condutas reprováveis.
Gerentes hesitantes que toleram o baixo desempenho dos seus subordinados apenas protelam o desfecho desfavorável e inevitavel que é despedí-los antes que contaminem o moral da equipe.
Isso sem falar de presidentes, governadores, prefeitos e juízes confusos e intimidados diante de atos arbitrários e ilegais de movimentos ditos sociais que podem tudo e a quem não se cobra nada.
A história mostra com todos os pingos nos “i’s” que líderes titubeantes, paternalistas ou sem vocação para chefiar quando é preciso estão associados a grandes fiascos políticos, econômicos ou militares.
A história também ensina que, quando contam apenas com a vocação para comandar, eles se tornam chefetes tiranos e, em conseqüência, deixam de ser líderes. É preciso discernir quando atrair os holofotes sobre si e assumir as rédeas do espetáculo e quando deixar a equipe autogerenciar-se.
Há circunstâncias em que o correto é orientar a equipe. Em outras, usar a sua posição e prestígio para negociar recursos junto à alta administração. Noutras, exercer a autoridade para direcionar os esforços em relação à metas organizacionais. E, quando o céu é de brigadeiro, o melhor a fazer é deixar o leme nas mãos da própria equipe.
Existem outros papéis a serem desempenhados, tais como mentor, coach, motivador, missionário, amigo e assim por diante. Qualquer papel não é bom ou impróprio em si. Tudo depende das circunstâncias.
É por isso que, de tempos em tempos, é preciso advertir, disciplinar, arbitrar, decidir, repreender e demitir, mesmo quando essas decisões contrariam desejos, opiniões e interesses de amigos, colegas de trabalho e as nossas inclinações pessoais.
Curiosamente, este aspecto do papel gerencial é escondido no porão. Não figura entre os temas prediletos das palestras, seminários e literatura gerencial. Porém, incomodo ou indigesto, é parte do show.
*Eugen Pfister, consultor, educador, especialista em liderança, performance humana e organizacional.
epfister@terra.com.br




















