Lucila Vigneron Villaça
FREE-LANCE PARA A FOLHA
Da TV digital às redes sem fio, inovações abrem vez a quem obtém atualização
Imagine um espectador sentado em frente à TV. Durante um programa, ele se interessa pela roupa do apresentador. Aponta o controle remoto, abrem-se janelas na tela, como no computador, e ele faz um pedido de compra.
Cenas como essa -que ilustra como deverá ser a TV nos próximos anos com a tecnologia digital- mostram as mudanças radicais que serão trazidas ao cotidiano. Inovações que vão requerer profissionais qualificados para que sejam implementadas.
Por isso as "tecnocarreiras" prometem chance de crescimento. TV e rádio digitais, redes sem fio, banda larga, celulares de terceira geração e sistemas com "bluetooth" são parte do que está chegando.
O mercado não é pequeno. Segundo pesquisa de março da Eaesp-FGV (Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas), há 15 milhões de computadores hoje em uso no país. A estimativa é a de que sejam 24 milhões até 2004.
A banda larga é outro exemplo. O setor fechou 2001 com um movimento de US$ 69 milhões no país, segundo a IDC Brasil (International Data Corporation). Tendo por base a média anual de crescimento de 84%, em 2005 deverão ser US$ 690 milhões.
"Cada vez que acontece uma evolução tecnológica, cria-se uma especialização. Quem tiver esse conhecimento específico conseguirá um emprego", diz Nivaldo Foresti, 45, editor da publicação técnica "Informationweek".
"Quem sabe?"
Para ele, a tática certa de carreira é "estar atento ao que há de novo para suprir a falta de pessoal qualificado naquele nicho".
No segmento de tecnologia da informação (TI), que reúne as áreas de informática, telecomunicações e internet, isso tudo significa atualização constante ou ficar fora do mercado de trabalho.
"Desatualização é fatal. Todos os dias vemos o surgimento de novidades", concorda Célio Antunes de Souza, 39, diretor-presidente da Impacta Tecnologia, especializada em treinamento de mão-de-obra na área de TI.
Só que a formação tradicional universitária ou técnica já não acompanha tanto a velocidade das mudanças. "O universo da informática é vasto, e nele há ondas de tecnologia, que podem passar. Hoje a linguagem de programação pode ser Visual Basic, amanhã, Java. Quem sabe?", questiona Luiz Marcelo Rizzo Dias, 35, sócio da Gauss Consultoria.
"O mercado de TI tem exigido a aplicação de soluções imediatas. Assim, não interessa em determinado momento se o candidato à vaga cursou a faculdade X ou Y, mas, sim, se ele sabe efetivamente aplicar a tecnologia", completa Souza. Trata-se de uma corrida contra o tempo, mas que pode render boas oportunidades para os que chegarem na frente.
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