Bruna Martins Fontes
FREE-LANCE PARA A FOLHA
O mercado de trabalho está se revelando promissor para aqueles profissionais que gostam de colocar as mãos à obra. Do canteiro ao escritório, o setor de infra-estrutura deve gerar 25 mil vagas neste ano, segundo a Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib).
Um dos destaques é a área de engenharia civil, especialmente para projetos de grande porte. "As companhias que concentram mais vagas são as de geração e transmissão de energia e petrolíferas", diz José Augusto Marques, 52, presidente da Abdib, reforçando que também surgirão oportunidades em transportes urbanos, como o metrô.
Os postos não se concentram só no nível operacional. O número de profissionais do setor com formação superior cresceu 241% entre 1999 e 2001, ou seja, saltou de 5.300 para 12.800, segundo dados da Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial).
"Contratamos 150 funcionários de nível universitário neste ano, de engenheiros a superintendentes de negócios", exemplifica José Navarro, 49, gerente de desenvolvimento humano da Construções e Comércio Camargo Corrêa.
No nível técnico, o crescimento também foi significativo: 117%.
"Surgem novas opções de atuação, como administração de projetos e engenharia financeira", diz Marques. Esta última agrega especialistas em finanças, responsáveis pelos fundos dos projetos.
E não são apenas os engenheiros que têm vez. Fernando Silva, 32, técnico em edificações e também economista, começou a trabalhar em uma construtora. Hoje é analista econômico-financeiro. "Vim de uma área diferente, mas gosto muito de construção civil."
Área acena com solidez e salário
Para quem está acostumado à rotatividade do mercado de trabalho, a carreira em infra-estrutura tem a solidez como diferencial. "A média de permanência de profissionais na empresa é de 18 anos", conta Murilo Alves, 43, assessor de recursos humanos da construtora Andrade Gutierrez.
Um exemplo é o de Dalton Avancini, 36, que há dez ingressou na Camargo Corrêa como trainee, trabalhou em obras em todo o país e hoje é superintendente de projetos. "É preciso ter noção de toda a cadeia de produção e de relações internas e externas da companhia", explica.
Experiência é fundamental e pode render bons dividendos. A média de rendimentos do setor é de R$ 2.100, segundo a Abdib. Mas um engenheiro sênior com anos de atuação pode ganhar salários na faixa dos R$ 10 mil.
Seguindo a escalada na carreira, a remuneração de um diretor de obra, que chefia gerentes e engenheiros, varia de R$ 6.000 a R$ 12 mil. Um diretor de projetos pode receber até R$ 20 mil mensais.
Estudo pavimenta crescimento na carreira
Com a entrada do investimento privado na área de infra-estrutura, outras habilidades passaram a ser requeridas pelas empresas.
Disponibilidade para acompanhar obras em todo o país e conhecer bem a estrutura da empresa, seus produtos e os da concorrência são itens fundamentais.
Mas é preciso ganhar diferenciais para lidar com os investidores, geralmente estrangeiros.
Além de saber gerenciar a mudança da cultura de gestão da empresa -mais globalizada e orientada para resultados-, "dominar outro idioma e saber lidar com outras culturas passam a ser características valorizadas", ressalta Iêda Novais, diretora-presidente da Mariaca & Associates.
A área de gestão de projetos é a que mais está em evidência, segundo Alexandre Fantozzi, 25, consultor da divisão de "engineering" da Michael Page International. "A função é nova, e há carência de profissionais no mercado, mas muitas empresas optam por treinar pessoas de seu quadro."
Estudo
Nas salas de aula pode-se ter uma idéia de como a procura por especialização tem transformado o perfil de programas voltados para a área de administração.
"Cerca de 30% dos alunos são do setor de engenharia e construção", diz Roberto Sbragia, 50, coordenador do MBA (Master in Business Administration) em administração de projetos da USP.
Os recrutadores buscam profissionais que entendam também de aspectos financeiros, jurídicos e de recursos humanos do projeto.
O engenheiro Leandro Alves Patah, 32, gerente de projetos da Siemens, dedica-se aos estudos para se enquadrar nesse perfil.
Desde que se formou, em 1998, fez especialização em administração, iniciou curso de mestrado na área de engenharia de produção e não pretende parar de estudar.
"A engenharia fornece as ferramentas fundamentais, como a capacidade de raciocínio, mas a carreira gerencial também requer especialização em administração."
A excelência técnica é exigida pelas empresas, segundo Novais, que ficam de olho no investimento do profissional no aprimoramento. "É necessário se atualizar a cada um ano e meio ou dois."
Mas, para que o estudo renda, é preciso examinar o conteúdo do curso. O programa deve estar em sintonia com a realidade das empresas, e não ser muito genérico, recomendam os especialistas.
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