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Gestão de Carreira, Coaching e Mentoring
 

"Manda quem pode..." O que há por trás deste velho paradigma?

por Denide Pereira Santos*

 

 

"Manda quem pode, obedece quem tem juízo!". Por que esta frase tão antiga permanece ainda tão presente no mundo das organizações ? A quem interessa? Para que um valor se sustente nas interrelações é necessário que haja "ganhos" de ambos os lados - para quem o estabelece e para quem o fomenta.

Se formos analisar o contexto em que este paradigma se desenvolve, poderemos facilmente identificar um poder que insiste em se estabelecer. Ancorado em valores como repressão e autoritarismo, com alto grau de defensividade a mudanças, estes valores são usados como escudo para a insegurança, o medo e a incompetência para lidar com situações novas, em que o poder não reside no status do cargo, mas em fatores intangíveis, como o conhecimento, a criatividade, a emoção e a sensibilidade.

O contexto da organização é constituído pelas opiniões, crenças, conclusões, premissas e pressupostos subjacentes que as pessoas compartilham e exteriorizam, traduzindo a forma de ser da organização que determina sua forma de atuar. O paradigma do "manda quem pode, obedece quem tem juízo" reproduz um contexto que o retroalimenta, na medida em que exime aqueles que "obedecem" do compromisso e da responsabilidade pela ação.

Romper esse paradigma requer auto-conhecimento e humildade para rever crenças e valores pessoais, abertura para mudança para desaprender velhos hábitos e incluir novos referenciais e coragem para sair da "zona de conforto".

Segundo Maquiavel, "não há nada mais difícil para assumir, mais problemático para conduzir ou de sucesso mais incerto, do que liderar a introdução de uma nova ordem. Porque inovação faz inimigos aqueles que se deram bem nas condições antigas e apenas defensores mornos entre aqueles que podem se dar bem nas novas."

Proponho aqui algumas reflexões para o profissional de RH, cujo desafio é liderar o processo de reinvenção do contexto organizacional:

  • Quais são as premissas e os valores que formam o contexto da organização e quais os resultados que estão sendo produzidos, para o corpo funcional, para os clientes, os fornecedores e para a sociedade?
  • Quais são as crenças pessoais do consultor em gestão de pessoas que estão contribuindo para manter o atual contexto?
  • Quais as ações a serem empreendidas para transformação desse contexto?
  • Qual o grau de abertura do profissional de RH e das lideranças para mudanças?

* Denide Pereira Santos Consultora e Terapeuta Organizacional e trabalha como assessora de Desenvolvimento da Gestão de Pessoas do Sistema FIEB - Federação das Indústrias do Estado da Bahia

 

 

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