*Por Eugen Pfister
Desconfio que a experiência seja o capital mais desperdiçada na vida. Perder dinheiro e tempo não é nada quando comparado com as perdas causadas pela dificuldade em colher os frutos da experiência. Não se trata apenas de não analisar, não aprender. Às vezes é complicado abrir mão das teorias e filosofias pessoais arduamente cultivadas mesmo quando sucessivamente desmentidas pelos fatos. Contudo, é preciso repensar continuamente a natureza das coisas para progredir na jornada de amadurecimento mental e espiritual.
Visto pelas lentes do senso comum, a experiência é algo que acontece e na qual estamos envolvidos como agente, paciente ou ambos. Podemos gostar, desgostar, lembrar ou esquecer. Porém, aconteceu e suas marcas sobrevivem na mente consciente ou inconsciente. Portanto, a experiência não termina como o evento em si. Ela vai além do aqui e agora. E, se formos capazes de extrair lições e usá-las em nosso proveito e de terceiros, nos transforma numa pessoa mais sábia.
Usar o conhecimento em novas situações é o segredo do que chamamos de aprender a aprender. As lições de enfrentar e resolver problemas opera segundo princípios gerais ainda que os casos sejam particulares. Sendo assim, o que aprendo aqui se aplica com pequenos ajustes acolá. Em outras palavras, a experiência original se amplia, se conecta a outras situações, aprendizagens, circunstâncias e pessoas.
O historiador e psiquiatra Peter Gay comenta que “a experiência é o encontro da mente com o mundo” *, e ressalta que não se trata de um encontro simples ou totalmente transparente. É esse quê de imprevisível e subjetivo que determina o valor da experiência para o nosso crescimento pessoal, social e organizacional.
Pisando nesta trilha, podemos dizer que quando nada aprendemos, no lugar do encontro houve um desencontro entre o eu e o mundo e, assim, saímos por aí, prontos para repetir indefinidamente os mesmos comportamentos, prisioneiros das mesmas limitações, reproduzindo os mesmos erros.
Uma atitude proativa permite evitar eventos dolorosos e, ao mesmo tempo nos ensina a como provocar experiências positivas, atos bem sucedidos, otimizando os ganhos e reduzindo perdas e danos na medida em que nos tornamos competentes na arte de viver.
A jornada do homo sapiens alcança o ápice existencial no momento em que a nossa espécie se converte num ser que aprende a aprender. Num ser que, com os pés no presente, consegue construir mundos possíveis a partir das duras lições da vida.
Tudo bem que os eventos da infância moldaram a minha personalidade. Porém, meus pais, meus tempos dourados que “os anos não trazem mais”, nas palavras de Casimiro de Abreu, não são eternamente responsáveis pelas escolhas que fiz ontem e farei hoje e amanhã. Só se eu permitir. Não vamos a lugar nenhum culpando os outros por nossa incapacidade de fazer a coisa certa, inclusive romper com o passado.
Posso ter me equivocado quando casei com o atual parceiro, carecer dos amigos que anseio, estar na empresa errada, responder a um chefe incompetente, amargar uma rotina detestável, mas foram minhas escolhas que me trouxeram até aqui e são elas que me mantêm onde estou.
O problema é que além das crenças que não funcionam a nosso favor, há a crença sobre a crença que o mundo está errado enquanto a teoria não. Haja resignação para receber pauladas sem tugir nem mugir.
Então, caros leitores fica aqui um convite: transforme a experiência em vivência e transforme o que deu certo em teoria e veja o que acontece.
23/01/2009




















