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Antonio Amorim Vejo os noticiários do dia e as matérias de TV sobre a morte de Telê Santana Silva, ex-técnico de futebol da Seleção Brasileira e de vários grandes times. Sempre considerei o futebol uma excelente metáfora para as questões de administração de equipes e da conquista de resultados através de pessoas, em grupos de uma forma geral ou organizações empresariais. A história de Telê Santana merece uma crônica especial, em razão da sua dedicação à profissão (chegou a morar no Centro de Treinamentos do S.Paulo e verificava ele mesmo, as condições do gramado), aos princípios de um líder que comandava pelo exemplo e autoridade (não confundir com poder). Telê pregava a não violência e o fazia com as equipes que treinava – todos os seus ex-jogadores comentam isso. A magia e o encanto promovido pelos times que treinava, guardam na memória das torcidas, a empolgação com a técnica, o talento e a busca pelos resultados. Uma história cheia de sucessos e fracassos, mas toda marcada pela coerência de princípios, respeito ao ser humano, mestre e um verdadeiro educador. Esse último parágrafo nos remete ao campo da liderança de uma forma geral. Os amantes do pragmatismo de resultados dirão que o que importa é a vitória ou o resultado, o lucro. A que preço? Não importa, dirão. Voltando ao futebol, até hoje vemos lances da seleção brasileira de 82, aquela derrotada pela Itália, quando queremos ver beleza e magia. Mas também vemos os dois títulos mundiais do S.Paulo e a sua torcida cantando o nome do Telê, mais de vinte anos depois e colocando uma faixa no estádio: Telê eterno! Eterno... O que deixa o sentimento de eterno nos nossos corações? Apenas conquistas? Provavelmente, não. No excelente filme, Clube do Imperador, o mestre sentencia: “Ambição e conquista, sem contribuição, não tem significado”. E cita também Heráclito: “O caráter de um homem é o seu destino”. Se ultrapassarmos o esporte e as organizações e caminharmos para a política, vamos chegar a essas mesmas conclusões e lembrar de Juscelino Kubitschek como outra figura que combinou conquista e contribuição com princípios. Ganhar um campeonato, fazer resultados, estar na mídia, obter lucros, como dizia aquela propaganda de cigarros, “leva você ao sucesso”, certo? E será que existe uma definição definitiva (permita-me a redundância) de sucesso? Outro dia li um texto em que o autor, um médico, dizia que não conheceu ninguém no leito de morte que tenha se lamentado de não ter adquirido um imóvel ou ganho mais dinheiro, e que normalmente o lamento era por não ter estado mais com as pessoas que amava, não ter feito coisas que paradoxalmente não constam da “lista do sucesso”. Uma empresa que produz lucros e resultados, a custo da saúde física e emocional das suas equipes, onde as relações interpessoais tornam-se objeto de sofrimento, acabam pagando a conta no plano de assistência médica e na (falta) de produtividade. Com certeza não dá para “visitar a sua cozinha”, como pregam os bons restaurantes. Equipes de futebol que obtém conquistas através da violência e anti-jogo produzem o pior dos resultados – a conquista efêmera. Como naquela piada do brasileiro que tinha como último desejo, morrer antes da palestra do japonês sobre qualidade total, eu prefiro morrer assistindo um jogo da seleção de 82, que não ganhou nada, mas produziu magia e talento, a ver um daqueles jogos burocráticos da seleção de 94 e que ganhou nos pênaltis da mesma Itália. Paradoxos da vida... De quem você prefere ler uma autobiografia? Do Gandhi, ou daquele “poderoso coronel” que rouba, mas faz? E não me venha dizer que o Gandhi não fez... Os mestres inspiram até na hora da partida. Boa viagem, mestre Telê Santana! |