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Novo Século Para A Mulher Brasileira E-mail

 

 

Joaquim Maria Botelho

Thomas A. Case

 


O brasileiro já evoluiu muito no seu famoso machismo. Acabou a figura legal de o homem ser o cabeça do casal, a justiça não acata mais pedidos de separação por causa de virgindade alegada (embora ainda conste do Código Penal Brasileiro, de 1946), a divorciada não tem mais o conceito ruim que a sociedade lhe infligia há bem pouco tempo.
Mas a questão é que algumas coisas permanecem dolorosas para o homem brasileiro. Uma delas é o fato de que muitas mulheres dirigem automóveis muito melhor do que os homens, e outra é o avanço das mulheres no mercado de trabalho.

REMUNERAÇÃO MENOR

Embora nossas pesquisas constatem que mulheres brasileiras em postos executivos recebam, em média, 16,2% menos que homens em postos idênticos, não há qualquer indício de que a legislação trabalhista avançará no sentido de impedir esse desvio.
Na Escócia, existe um grupo governamental (The Equal Opportunities Commission – Comissão de Igualdade de Oportunidades) dedicado a identificar e a evitar abusos dessa natureza. Na Irlanda do Norte, a Comissão de Igualdade para a Irlanda do Norte (Equality Commission for Northern Ireland) tem a mesma função.
Nos Estados Unidos, de acordo com o Ato do Pagamento Igual, de 1965 (e emendado em 1984), garante à mulher o direito de ganhar a mesma quantia que um homem em posição similar ou parecida.
Mas todas essas iniciativas não parecem ter provido absoluta proteção ao sexo chamado frágil, porque pesquisa publicada na capa do jornal The New York Times, no início do mês de novembro de 2000, dava conta de que os homens, no cômputo geral, ganham cerca de 20% mais do que as mulheres americanas.

AS MULHERES NO MUNDO

A revista Dinheiro de junho de 2000 trouxe um levantamento da situação da massa salarial das mulheres em vários países. Segundo a reportagem, em todo o mundo, salários femininos são, na média, 59,3% do total alcançado pelos homens:
Alemanha – pesquisa de 1991 mostrou que mulheres ganham, em média, 73,6% do salário de um homem.
Coréia – as mulheres recebem, em média, 51% dos salários pagos aos homens.
EUA – em 1991, mulheres tinham defasagem salarial de 28% em relação aos homens.
França – mulheres ganham em média 80,8% do salário recebido por um homem na mesma função.
Grã-Bretanha – a renda das mulheres representava 69,5% dos salários masculinos dos anos 80.
Hong-Kong – salários de mulheres chegam a 70% da remuneração dos homens.
Japão – um recorde negativo: salário feminino representa 43% de uma remuneração masculina.
Singapura – mão-de-obra feminina recebe 56% do que é pago à masculina.

A QUESTÃO NÃO É SÓ DINHEIRO

Nem nos Estados Unidos, que apresenta esse progresso da legislação, o homem é menos inseguro do que no Brasil, quando se trata de ganhar menos que a mulher.
Basta verificar por exemplo as mensagens femininas postadas em sites como o www.iVillage.com.uk , lançado em Londres no início de novembro e que teve um investimento de US$ 66 milhões. São muitas as mensagens de mulheres preocupadas com o futuro do relacionamento conjugal porque recebem remuneração maior que as dos maridos.

Mas, sofram mais ou menos os homens e as próprias mulheres, o avanço dessas no mercado é visível. Na Inglaterra, espera-se que, em 2005, 60% do mercado consumidor seja formado de mulheres. No Brasil, a participação da mulher em funções de liderança no mercado de trabalho está crescendo rapidamente, e o cadastro do Grupo Catho testemunha este crescimento. Dos 283.995 executivos atualizados nos 12 meses anteriores a setembro do ano 2000, as mulheres representavam 27,6% dos executivos – eram apenas 23,9% um ano e meio antes.
Por exemplo, na função de presidente, executivo principal, gerente geral ou equivalente, as mulheres representavam 8,1% do universo em 1995, passam a ser 10,3% em 1997, 12,0% em 1999, e já são 13,0% em 2000. Nos últimos cinco anos houve um aumento percentual de 60,5% na participação de mulheres em posições de cúpula (13,0% dividido por 8,1%).

ÁREAS DE ATUAÇÃO PREFERIDAS PELAS MULHERES

As mulheres têm tido participação aumentada em todas as áreas de atuação, mas continuam evitando a área industrial e de engenharia, histórica e culturalmente de domínio masculino. A tabela seguinte mostra a participação de mulheres por área funcional:

Área de atuação

% de executivos do sexo feminino

Presidencial

16,3

Administrativa-financeira

26,8

Comercial

19,8

Processamento de dados

20,8

Relações Públicas

44,6

Suprimentos/compras

16,6

Jurídica

29,7

Industrial/engenharia

10,5

Recursos humanos

45,1



A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO

A mulher executiva é mais estressada do que o homem: 53% delas (contra 43% dos homens) admitem que sofrem muito estresse com freqüência ou intenso estresse continuamente. Não há dúvida de que a maternidade, e a conseqüente jornada dupla da mulher executiva, é um fator de aumento desse estresse.
Mas, ao mesmo tempo, a mulher executiva é mais otimista e mais positiva em relação ao futuro que o homem, também. Em relação ao clima organizacional da empresa, 58,3% das mulheres que responderam nossas pesquisas consideram o clima bom, contra 54,4% dos homens. Até no otimismo as mulheres estão ganhando.

(As informações apresentadas neste artigo constam do capítulo "Ser mulher no mercado executivo", do livro Gerenciamento da carreira do executivo brasileiro: uma ciência exata, de autoria de Thomas A. Case e Joaquim Maria Botelho. O livro está em processo de produção para ser lançado no final do mês de janeiro.)



 

 

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