| Executivos valorizam cada vez mais os ganhos intangíveis |
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As virtudes da força de trabalho são cada vez mais personalizadas - como iniciativa e espírito de equipe - enquanto as recompensas desejadas aproximam-se mais de valores intangíveis do que dos salários e dos benefícios básicos. Atributos como a reputação da empresa, os ganhos variáveis, a comunicação interna e a participação em decisões respondem por parte expressiva das expectativas dos empregados, independentemente do nível hierárquico.
A conclusão é de pesquisa com 67 empresas no Brasil, pela Towers Perrin, consultoria de Recursos Humanos norte-americana. O estudo teve como base estudo semelhante, feito pela The Economist Intelligence Unit, em parceria com a consultoria, com 200 executivos dos EUA, Europa e Ásia, e detalha os princípios que norteiam as relações de trabalho hoje e as tendências para o futuro, em um horizonte de dois a três anos.
De acordo com Éder Carvalhaes, consultor da Towers Perrin, uma das constatações positivas do estudo é que os executivos brasileiros têm grande capacidade para atuar em ambiente de mudança, habilidade considerada essencial para o sucesso no futuro. Em compensação, as empresas brasileiras ainda ressentem-se de maior capacitação tecnológica. Das 32 empresas brasileiras consultadas, 44% admitiram que a concorrência é mais competente no comércio eletrônico, enquanto apenas 29% das 35 empresas estrangeiras pesquisadas no Brasil pensam o mesmo.
Em comum, a gestão dos negócios, no Brasil ou no mundo, enfrenta os mesmos desafios em relação às pessoas: a atração e retenção das pessoas "certas", a garantia de que elas têm as habilidades necessárias e que sejam engajadas no negócio.
Outra revelação dos estudos, tanto o global quanto o brasileiro, é que os funcionários têm deficiências em áreas como o conhecimento digital e a capacidade de inovar e empreender, "qualidades consideradas necessárias para atuar no novo modelo de negócios, caracterizado pela excelência de produtos e pelo crescimento", afirma Carvalhaes.
Novas habilidades
"A transformação do negócio para se adaptar à nova economia está mudando as habilidades de que os funcionários necessitam hoje e as que vão precisar no futuro", completa. De acordo com a pesquisa, as empresas atualmente enfatizam como atributos da força de trabalho o espírito de equipe e a especialização técnica, mas habilidades como a inovação, iniciativa e proficiência na web ganham peso no futuro próximo, ou seja, dentro de dois a três anos.
"Em contrapartida, os participantes de ambos os estudos indicaram as recompensas intangíveis como as mais importantes para levarem os empregados a resultados superiores", relata Carvalhaes. Ele menciona como fatores relevantes a qualidade da liderança, o desafio contido no trabalho, a oportunidade de avanço na carreira e a reputação da empresa e das suas marcas.
A remuneração, contudo, continua como item de grande importância, mas com peso relativo. A pesquisa revela que os executivos enfatizam cada vez mais a remuneração variável, o que, para Carvalhaes, "reflete o interesse renovado na gestão de custos e melhoria da lucratividade". A importância atual do salário-base foi considerada por 61% das empresas pesquisadas no Brasil. Sua eficácia, no entanto, teve peso apenas para 46%, que caiu para 45% no que se refere à importância futura. Já a remuneração variável e os bônus anuais, condicionados ao cumprimento de metas e obtenção de resultados, têm relevância atual para 55%, eficácia para 46% e importância futura para 90%.
Luiz Roberto Gouveia, executivo da Towers Perrin no Brasil, diz que este resultado reflete a crescente tendência de utilização dos programas de ações nos pacotes de remuneração dos executivos. "Superada a fase de ‘underwater’ (crescimento negativo), os programas de ações serão reconhecidos como um dos mais eficientes instrumentos de alinhamento entre os interesses dos acionistas e dos empregados", disse. Segundo Gouveia, as reformas na legislação brasileira podem incluir até mesmo a substituição de encargos, como o FGTS, com a destinação de parte do recolhimento para programas de previdência.
Pacote flexível
A tendência de flexibilização no pacote de benefícios é outra tese defendida pela consultoria. "O atual ambiente de negócios, caracterizado pela constante mudança, requer a introdução de maior flexibilidade e a possibilidade de escolha, pelo funcionário, dos componentes de seu programa de recompensas", defende. O estudo brasileiro aponta, no entanto, que 88% das empresas não vêem, hoje, nenhuma possibilidade de personalização das recompensas oferecidas aos seus empregados. Por outro lado, 41% delas antevêem possibilidades de média a total flexibilização no futuro.
De fato, a flexibilização dos pacotes de benefícios é vista com precaução por algumas empresas. Na reunião de apresentação dos dados da pesquisa a empresas convidadas, representantes de duas multinacionais - uma indústria farmacêutica e outra de eletroeletrônicos - argumentaram que o momento recomenda a postergação de mudanças, já que as contratações estão restritas e há necessidade de maior segurança. Éder Carvalhaes, por sua vez, contra-argumentou: "A flexibilidade implica recompensas condicionadas à obtenção de resultados, em um ambiente de maior competitividade e de crescimento, com menor risco de instabilidade".
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