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O líder e o mar E-mail

 

Marcelo Aguilar

Como o planejamento organizacional pode evitar as ondas de complicações que agitam as empresas

 

Ainda lembro da primeira vez em que vi o mar, apesar de ter apenas seis anos de vida. Naquele dia, uma coisa me intrigou: como uma “piscina” daquele tamanho fazia ondas sem parar? Nestes últimos anos dirigindo empresas, e mais recentemente como consultor, uma das minhas ansiedades era entender quais eram os aspectos de liderança mais importantes e como eles se entrelaçavam para a consecução dos objetivos organizacionais. Acredito, hoje, que o mar é um bom modelo para entender essas dinâmicas organizacionais e os diversos níveis de liderança.

Primeiro é preciso entender os fenômenos que provocam as ondas. Eles podem ser associados à realidade organizacional: (1) ventos e diferença de pressão atmosférica, (2) movimento das placas tectônicas da Terra e (3) movimentos do sol e da lua.

Os ventos e a diferença de pressão são fenômenos de extensão e efeitos restritos. Geram as tempestades e os furacões. Coisa passageira. As ondas provocadas por este fenômeno são tão grandes quanto forem intensas a força do vento e a variação da pressão atmosférica. São ondas localizadas e passageiras, mas é melhor não estarmos no mar no meio de uma tempestade...

Nas organizações, os ventos e as diferenças de pressão geralmente são provocados pela gerência baixa e intermediária. Uma má interpretação dos objetivos organizacionais acaba provocando turbulência na hora de implementá-los. Ou mesma a escolha de uso de um estilo errado de liderança (diretivo, esclarecedor, orientador ou de delegação) para o momento pelo qual passa a organização.

Isso pode até provocar tempestades, e algumas vezes furacões, em determinada área ou departamento. Como a maioria das organizações não possui um sistema de monitoramento efetivo e estes fenômenos vêm e vão muito rapidamente, a alta gerência só se dá conta dos estragos provocados quando esta liderança negativa já se instalou e atuou.

Para entender o segundo fenômeno, o movimento das placas tectônicas da Terra, temos que imaginar o planeta como um grande quebra-cabeça esférico, com as peças flutuando sobre a rocha líquida. São as placas tectônicas, que deslizam umas sobre as outras, se chocam e se afastam. Um movimento que provoca uma quantidade enorme de terremotos e erupções vulcânicas no fundo do mar. O resultado disso são ondas na superfície. Isto explica o surgimento de Tsunamis, ondas gigantescas com enorme poder de destruição. O fenômeno do movimento das placas tectônicas é localizado, mas os efeitos são sentidos a grandes distâncias.

As organizações, como a Terra, são formadas por peças de um quebra-cabeça próprio. São diversas áreas que se encaixam, mas também se chocam e deslizam sobre, ou sob, as outras áreas, criando terremotos e erupções internas, sentidos em toda a organização. Estes “movimentos tectônicos” são, geralmente, provocados pela alta gerência de uma organização, em disputa pelo poder ou pela liderança nas ações. Entram em cena aqueles que estão loucos para mostrar a incompetência do “companheiro”, invadindo outras áreas e roubando responsabilidades e tarefas que não são suas. Quando o choque ocorre entre duas áreas poderosas dentro da organização, temos uma Tsunami que destrói o que encontra pela frente e coloca toda a organização em risco. Sofre mais quem está na “periferia” da organização. Alguém já ouviu falar em demissão em massa como conseqüência de um erro das lideranças?

Por fim, temos os movimentos do sol e da lua, cuja influência se reflete nas altas e baixas das marés, atraindo e “puxando” as águas. As idas e vindas das marés são vitais para o ecossistema do planeta. Tem também utilidades como a geração de energia elétrica. Uma vez que o fundo do mar é irregular, o movimento das marés provoca, naturalmente, ondas. Bem mais suaves, poéticas e belas. É o movimento do líder maior que comanda as marés. Ele é o corpo que “atrai” toda a massa de colaboradores para os objetivos da organização. Assim como uma tábua de marés antecipa para um marinheiro as alterações no mar, também o grande líder deixa claro a todos quais são os objetivos e com que velocidade e freqüência ocorrerão mudanças. Esse líder também sabe que, quanto maior a organização, mais violentas serão as ondas provocadas por mudanças bruscas. Por isso, deve saber mensurar os efeitos de seus atos.

Dentre os fenômenos descritos, o único que se pode predizer e calcular por fórmulas matemáticas é o das marés. Os outros ainda são imprevisíveis, mas podem ser monitorados com auxílio da tecnologia. Ainda não com a antecedência desejável, infelizmente.

Nisto as organizações levam vantagem, pois é possível monitorar os níveis e a qualidade de seus líderes, evitando a formação de tempestades, furacões e até Tsunamis. Um sistema de avaliação 360º justo (para desenvolver e não para punir) e uma pesquisa de clima organizacional anônima são bons lemes para prevenir os riscos das tempestades.

 

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