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Robson Paz Vieira*
No contexto competitivo atual é impossível negar a importância da tecnologia para o desempenho das empresas em seus respectivos mercados de atuação. Novos desafios se apresentam em freqüência e intensidade crescentes, potencializados por uma rede de mudanças ambientais, políticas, econômicas e tecnológicas que pressionam a empresa a assumir novas posturas e procurar novos meios de se diferenciar de seus concorrentes. Com mercados e seus participantes mudando constantemente, para que uma empresa consiga estabelecer uma vantagem competitiva sustentável é necessário que ela procure continuamente inovar para competir (TAPSCOTT & CASTON, 1993). A história da evolução dos negócios é repleta de empresas - incluindo grandes companhias multinacionais - que falharam porque não acompanharam as mudanças e tendências de mercado ou porque não entenderam ou souberam atender às necessidades de seus clientes. Por isso, a modernização tecnológica, hoje, é aceita como um dos fatores fundamentais para dinamizar o processo de desenvolvimento. Quanto maior o ritmo de desenvolvimento que se quer imprimir em uma empresa ou em uma sociedade como um todo, mais elas devem estar vinculadas ao uso de tecnologias adequadas às suas matérias primas, aos seus recursos humanos e à sua realidade (MARCOVITCH, 1996). Porter reafirma a importância de as empresas procurarem criar vantagem competitiva por meio da inovação, melhorando ou criando novas maneiras de desenvolver suas atividades, o que incluiria: • Modificações de produtos e / ou serviços; • Mudanças nos processos; • Novas abordagens de comercialização e interação; e • Novas formas de distribuição (PORTER, op. cit.: 62). Em menor ou maior grau a tecnologia da informação, com maior ênfase a Internet, se aplica como ferramenta facilitadora em cada um desses processos. Todo esse trabalho parte do pressuposto que as empresas são, basicamente, conjuntos de componentes dinâmicos que interagem constantemente entre si e que possuem a sua disposição inúmeras fontes - tangíveis e intangíveis - que podem ser usadas para criar diferenciais competitivos. Para que as empresas possam recolher e utilizar essas informações e, em última instância, serem bem-sucedidas em sua atuação frente às novas configurações que se apresentam no mercado é necessário que elas utilizem as tecnologias disponíveis, principalmente para ter a oportunidade de conectarem suas atividades em tempo real e traduzirem essa conexão em novos e inovadores relacionamentos com clientes, fornecedores, investidores, funcionários e sociedade como um todo para obter vantagem competitiva. Os negócios empresariais no ambiente globalizado É impossível o estabelecimento de estratégias bem sucedidas sem que a empresa se volte para o ambiente onde está inserida, monitorando suas configurações e tentando prever ou se antecipar às suas tendências, montando assim as diretrizes para a sua atuação no mercado. Autores como ETZEL, WALTER & STANTON (2001) e KOTLER (2000) afirmam que o ambiente externo possui uma série de fatores que não são controláveis pela empresa, mas que influenciam a sua atuação e a sua relação com os clientes, fornecedores, intermediários e concorrentes. Atualmente, dentre tantos fatores, dois têm se destacado como bases de funcionamento do mercado, margeando as atividades da maioria das organizações e afetando o seu nível de competitividade: a globalização e a tecnologia da informação. O fenômeno da globalização, ao mesmo tempo em que permite que as empresas e indivíduos atuem em mercados inimagináveis, está demandando às empresas que elas façam uso estratégico da tecnologia à sua disposição para que possam alcançar níveis de competitividade adequados. Todo esse processo implica, necessariamente, na especialização da estrutura produtiva, especialmente no tocante às atividades de infra-estrutura, como os serviços bancários. É fato indiscutível que produtos, serviços ou atividades empresariais não se restringem mais às fronteiras de um só país (nem poderiam). Com o advento de sistemas computacionais altamente desenvolvidos, estreita-se a interdependência entre países e aumenta a concorrência entre as organizações, e todos os setores econômicos de um país estão envolvidos nesse processo. Devido à pressão para baixar custos, melhorar a qualidade e atender os mercados da melhor maneira possível, os negócios começam a se desenvolver com o olhar mais voltado para conceitos globais amparados por movimentações econômicas e políticas - como, por exemplo, a criação de mercados de livre comércio - que têm influência direta sobre a competição global. A importância da concorrência global não se refere somente às empresas que atuam em outros países. Aquelas que atuam apenas localmente também devem se preparar tanto para atender clientes com presença no exterior quanto para enfrentar a competição de empresas que vêm atuar em seus mercados (situação clara no setor alvo deste estudo). Os clientes também têm assumindo um papel influenciador importante para que uma empresa adote uma orientação global, porque, conforme eles se tornam globais esperam que seus fornecedores também o sejam, ou, pelo menos, que lhes ofereçam produtos e / ou serviços com qualidade global (TERPSTRA & SARATHY, 2000). É fato que clientes que atuam em vários países têm a propensão a realizar seus negócios com empresas que tenham a capacidade de adaptar e entregar soluções customizadas para os seus problemas e que atendam suas necessidades, quando e onde quer que eles estejam desenvolvendo seus negócios, nesse contexto, a TI começa a ganhar importância crescente (DANIELS & DANIELS, 1994). A globalização requer uma mudança estrutural fundamental nas práticas de negócios que pode ser amparada pela tecnologia. Para uma empresa ser considerada globalizada ela deve: • Ter um conceito de negócios globalizado; • Ter a habilidade de desenvolver negócios independentemente de localizações de uma maneira integrada, sem fronteiras; • Construir redes de confiança dentro e fora da empresa; • Assegurar que os ajustes culturais necessários sejam realizados; • Preocupar-se que seus executivos estejam preparados a atuar como coordenadores e conectores, procurando obter as vantagens de se atuar com economias de escala e escopo; e, • Comunicar-se abertamente para que seja transmitida uma visão clara de longo prazo para a empresa (idem, p. xvii-xix). Em essência, a globalização envolve realizar negócios ao redor do mundo procurando balancear as qualidades globais dos produtos ou serviços e as necessidades únicas das diversas bases locais de clientes. Para isso, a empresa deve procurar dissolver idéias etnocêntricas1, reconhecer os talentos internos e procurar a cooperação dos seus clientes globais (idem, p. 12-4). Mesmo que a globalização e conseqüente interdependência crescente entre os mercados seja uma realidade para a maior parte das economias nacionais, lidar com ela ainda se constitui em um grande desafio para as 1 Etnocentrismo pode ser definido como o modo com que um grupo se considera como referência, classificando os demais grupos a partir de suas características (FERRARO, 1994: 39). empresas (OLIVEIRA JR., 1999: 96). A partir do momento que os mercados começam a se abrir e investimentos estrangeiros fluem entre países internacionalizando o capital das empresas, grande parte das suas atividades precisa ser reestruturada para se adaptar às novas configurações, o que embute também riscos e dificuldades - como conflitos culturais e aumento do desemprego - particularmente nos países em desenvolvimento. Não há, entretanto, como não aceitar os benefícios de uma maior e mais ampla disseminação de conhecimentos, que propicia novas oportunidades e novos desafios para as empresas. Obviamente, muitos aspectos influenciam o conceito de globalização, mas a maior parte deles é potencializada por progressos tecnológicos, isso desde a integração comercial até a comunicação mais diretas e transparentes entre os países. Se há uma verdade absoluta sobre a globalização é que uma empresa não pode se tornar realmente global sem fazer um uso consciente de uma ampla variedade de tecnologias de informação. Uma boa utilização da TI permite a minimização dos impactos negativos de distância e tempo e o compartilhamento mais fluido de conhecimento dentro e fora da empresa (DANIELS & DANIELS, op. cit.: 22). A importância da tecnologia da informação diante da globalização A Tecnologia da Informação pode ser definida como: "Um conjunto de hardware e software que desempenha uma ou mais tarefas de - processamento de informações do sistema de informações, como coletar, transmitir, estocar, recuperar, manipular e exibir dados" ( WELZEL & ERDMANN, 2001: 2) A TI pode ser enxergada como o resultado da evolução e união da informática, das telecomunicações e da automação (GONÇALVES, 1994: 106). Expandindo-se esse conceito, observa-se que a TI pode agir também como facilitadora e modificadora das formas tradicionais de se realizarem os negócios. A TI surgiu como ferramenta para reduzir custos e agilizar o processo de troca de informações (GONÇALVES & GONÇALVES FILHO, 1995: 83). Para atingir esse objetivo ela é capaz de assumir uma série de funções dentro de uma empresa, entre elas (DANIELS & DANIELS, op. cit.: 74): • A automatização de processos; • A construção de infra-estruturas de comunicação internas e externas; • A conexão da empresa com clientes e fornecedores; • O apoio à tomada de decisão; e, • O aumento da velocidade de transmissão das vias de informação. Ela pode ser considerada um ‘dinamizador’ das mudanças processadas nas empresas, em sua forma de competir, desempenhando um papel central para torná-las mais aptas a responder às mudanças que ocorrem no mercado e para buscar novos parâmetros de aprendizado, especialmente no que diz respeito à globalização de mercados (SILVA, 1994: 186). Visto isso, pode-se afirmar que a TI pode ser considerada um dos mais poderosos instrumentos organizacionais com influência para alterar as bases de competitividade e estratégias empresariais (ALBERTIN, op. cit: 195). Entende-se por competitividade: "a capacidade da empresa de formular e implementar estratégias concorrenciais, que permitam conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado" (AMIGO, 1998: 112). Resultando de: “um conjunto de ações produtivas, administrativas e comerciais, que permitem à empresa alcançar seus objetivos de rentabilidade, crescimento e participação nos mercados, mediante a conquista e manutenção de clientes previamente selecionados" (RODRIGUES FILHO, 1999: 139). Portanto, ela refere-se, basicamente, ao quanto uma empresa é eficaz e eficiente em relação aos seus concorrentes em servir os seus clientes (DICKSON, 1994: 82). Nos anos recentes, começou-se a verificar que a TI e os sistemas de informação baseados no computador podem ser usados não apenas como meios para melhorar a eficiência das operações, mas também como meios para prover novas oportunidades às organizações (Bannon in ALBERTIN, 1996: 16). A convergência e integração do computador com as telecomunicações e a onipresença do computador, em todos os aspectos de nossas vidas, significam que poucas atividades dentro de uma organização escapam da influência da tecnologia. A tecnologia não só tem papel importante como parte da estratégia de uma empresa, ajudando-a na obtenção de vantagem competitiva e assegurando a sua sobrevivência, mas também, funciona como força impulsionadora que cria a necessidade de mudança. O uso da tecnologia envolve a necessidade de visão e perspectiva, vislumbrando-se para onde ela está caminhando e como pode nos ajudar com a dinâmica das mudanças, superando restrições e criando oportunidades. O uso estratégico da TI pode, indubitavelmente, agir como um facilitador para o alcance de objetivos globais de negócios, ajudando a administrar fluxos essenciais de negócios de uma maneira integrada, a compartilhar conhecimento e transferir habilidades em uma base mundial, e a reduzir os impactos de tempo e distância. É fato que o fluxo de conhecimento e informação agilizado pela TI – que reduz tempo e gastos para realizá-lo – pode servir de base para o desenvolvimento de competências estratégicas nas empresas, constituindo assim, uma ferramenta para a competitividade (OLIVEIRA JR., op. cit.: 25). É importante ressaltar, no entanto, que o acesso à tecnologia não é restrito a uma só empresa, sendo aberto a todos os concorrentes no mercado; por isso, quando se decidir a usar uma nova tecnologia a empresa precisa estudar se seu uso dará a ela um status competitivo junto a seus concorrentes que possibilite a obtenção de vantagens competitivas. Além disso, a TI, por si só, não assegura o sucesso de uma empresa. Uma estratégia de mercado bem sucedida exige tanto o balanceamento entre as mudanças tecnológicas e organizacionais, como a colaboração entre os diversos departamentos da empresa e desta com os clientes, deixando a eles a escolha final sobre qual canal ou canais eles se sentem mais a vontade para utilizar na realização de seus negócios com a organização (DANIELS & DANIELS, op. cit.: 64). É essa liberdade de escolha, combinada com a transparência no desenvolvimento de negócios e a rapidez de oferecimento de soluções que pode possibilitar que a tecnologia seja uma fonte de criação de valor para o cliente. Porter afirma que a tecnologia da informação está transformando o modo como as atividades geradoras de valor são executadas e a natureza das articulações entre estas atividades, influindo também no ambiente competitivo e remodelando a maneira pela qual os produtos atendem às necessidades do cliente. Talvez esses efeitos básicos expliquem porque a TI adquiriu importância estratégica nos últimos tempos (PORTER, 1989: 112). A tecnologia da informação A administração de uma pequena ou média empresa, da mesma forma que as empresas de grande porte, por ter de lidar com muitas informações, passa a exigir mais recursos de hardware, software e de telecomunicações, o que vem desafiando os gestores de estratégias de TI. É um setor que acompanhou de perto a evolução da tecnologia relacionada aos meios de cálculo, controle e comunicação. As primeiras máquinas de calcular teriam passado pelo sistema bancário da época. Evolução histórica Na Europa pré-renascentista, as necessidades da burguesia e do capitalismo mercantil desenvolveram uma economia monetária e os rudimentos da contabilidade. O aumento das receitas e despesas exigiu novos aperfeiçoamentos, impulsionando a ciência e as pesquisas. Nesse sentido, um grande marco da evolução da tecnologia de meios de cálculos passa pelo matemático e filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662) com a invenção da primeira máquina (Pascaline - 1642), com um mecanismo de capacidade para oito dígitos que efetuava a adição e subtração (Microsistemas, 1995). Outros cientistas contribuíram para o aprimoramento das máquinas de calcular, mas o grande salto se dá nos Estados Unidos em 1886, quando o estatístico Hermann Hollerith (1860-1929), funcionário do National Census Office, observa que o processamento manual de dados do censo de 1880 demoraria cerca de 7 anos e meio para ser concluído. Raciocinando que o censo seguinte, de 1890, não estaria totalmente concluído antes do ano de 1900 devido ao aumento da população, dedica-se à construção de uma máquina para tabular esses dados. No censo de 1890, 300 de suas máquinas, baseadas nos princípios de Babbage e empregando cartões perfurados, diminuem a demora do processamento de cerca de 55 milhões de habitantes para aproximadamente 2 anos (WOLFSDORF, 1988). O sucesso da máquina leva Hollerith a fundar a própria companhia (1896) para fabricá-las e comercializá-las: a Tabulating Machine Company. Em 1924 o nome da Companhia é alterado para Industrial Business Machines - IBM, pioneira no emprego da eletricidade para a perfuração / leitura de cartões. A tecnologia de cartões perfurados só será superada em 1960 (WOLFSDORF, 1988). A década de 70 marca o início da grande corrida tecnológica. Tem como fator preponderante a produção comercial de circuitos integrados. Baseados nesse recurso, a IBM apresenta ao mercado o System / 360, primeira família com aqueles componentes. É dessa época o nascimento da tecnologia denominada Large Scale Integration - LSI capaz de concentrar milhares de transistores numa única pastilha de silício, introduzindo o conceito de Unidade Central de Processamento - CPU. O mercado começa a perceber a possibilidade de uso de microcomputadores para uso doméstico. Diversos fabricantes aproveitaram a abertura dada pela IBM da sua arquitetura Personal Computer - PC e produziram a preços reduzidos os novos computadores chamados 113M-PC compatíveis. A IBM só percebeu o potencial de mercado em 1981, quando lançou o seu microcomputador PC. Nesse ínterim, a concorrência já dominava 84% do mercado (Microsistema, 1995). A rápida disseminação dos microcomputadores PC contaminou também o setor financeiro. Inicia-se uma fase de descentralização, inicialmente com a distribuição de terminais conectados diretamente aos computadores centrais "Mainframes" (terminais 3270) e em seguida, ainda rudimentares microcomputadores. A área de CPD ainda controlava todas as operações de informática, mas o usuário começa a ter autonomia para definir as suas necessidades. Da Era do Computador para a Era da Informação A Era do Computador predominou até o final da década de 70 e a Era da Informação começou a partir dos primeiros anos da década de 80, sendo que muitas empresas ainda estão na transição entre as duas e no Brasil essa mudança teve início por volta da metade da década de 80. ALBERTIN (2001) apresenta as características em relação às naturezas da Era do Computador e da Era da Informação. A informática passou a ter mais enfoque de negócio e menos de técnico. Essa mudança é resultado de processos de evolução das organizações, determinado pela competitividade do mercado e sobretudo pela tecnologia de hardware, software e telecomunicações e também dos usuários que perceberam uma nova abordagem dessa tecnologia (ALBERTIN, 2001). Sob ponto de vista organizacional, a grande mudança foi o do conceito de Central de Processamento de Dados (CPD) para Tecnologia de Informação (TI). Unidade que passa a exercer importância vital nas organizações, sobretudo nas do setor financeiro. Paralelamente à evolução da tecnologia computacional para tecnologia da informação, cresce o poder dos executivos das unidades de tecnologia que passam a deter informações estratégicas da organização. A informação passa a representar poder dentro das organizações. LAURINDO (2002, p. 17) reforça essa observação: “Há uma espécie de 'encantamento' com as aplicações de TI que viabilizam mecanismos da chamada economia globalizada, em especial o chamado 'comércio eletrônico’ (e-commerce)”. Custo Social A tecnologia e sua disseminação, através dos sistemas de informação2, implicam profundas alterações nos padrões das organizações, afetando sua estrutura e gestão, que tendem a assumir formatos diferenciados, compatíveis com as novas tecnologias introduzidas. Um exemplo dessas tecnologias é a informática. Sua introdução nas organizações difundiu a informação em todos os níveis, agilizou as comunicações e os processos de tomada de decisão, promoveu descentralização e, por conseguinte, eliminou uma série de níveis hierárquicos intermediários que, na verdade, processavam informações ou dados hoje assumidos pelas tecnologias de informação, evidentemente com base em um novo perfil de recursos humanos adequados a essa inovação. "O impacto da tecnologia pode provocar transformação no trabalho das pessoas, na produção dos grupos, no desenho da própria organização e no desempenho da própria empresa..." (GONÇALVES, 1998, p. 15) Ainda para GONÇALVES (1998), a tecnologia impulsiona o novo ambiente empresarial, estimulando a produtividade dos "trabalhadores do conhecimento" e prestadores de serviços, a qualidade dos produtos e serviços, o outsourcing de atividades de produção e serviços, as parcerias 2 Sistema de informação: de acordo com PELEIAS (2002), pode ser definido como ‘combinação de pessoas, tecnologias, mídias, procedimentos e controles, com os quais se pretende manter canais de comunicação relevantes, processar dados de atividades, eventos e transações rotineiras, chamar a atenção dos gestores e de outras pessoas para fatores internos e externos significativos, e assegurar as bases para a tomada de decisões inteligentes’. e a formação de alianças estratégicas, dentre outros aspectos. O fato relevante é que nas sociedades industrializadas, o progresso técnico tem pelo menos três metas básicas: redução do esforço humano, aumento da qualidade do produto e da produtividade. E essa tem sido a direção perseguida quando se introduzem novas tecnologias nas empresas, com resultados notáveis: “A incorporação de equipamentos de automação industrial cada vez mais poderosos, baratos e rápidos vem transformando os sistemas fabris, redefinindo padrões de eficiência, qualidade e processos de produção". (COUTINHO e FERRAZ, 1994, p. 48). Do ponto de vista administrativo ou produtivo, por exemplo, pode-se dizer que a tecnologia afeta consideravelmente os métodos e processos de trabalho e a produtividade e, necessariamente, requer trabalhadores mais completos, isto é, qualificados para o uso das novas tecnologias e poli valentes para dar respostas rápidas aos problemas. Nesses termos, a tecnologia também tem o papel de ampliar as capacitações humanas, constituindo-se em uma potente força impulsionadora do desenvolvimento. Com a revolução industrial, o papel da tecnologia foi o de aumentar a capacidade física de realizar o trabalho. Com a revolução da informática, o papel da tecnologia foi o de aumentar as capacitações mentais (DAVENPORT, 1994). De todo modo, o impacto das novas tecnologias sobre o trabalho deve ser analisado tanto no que se refere ao indivíduo quanto no que se refere ao grupo. Segundo DAVENPORT (1994), ocorrem mudanças no conteúdo e natureza das tarefas, nas habilidades requeridas, no ritmo do trabalho, dentre outras. Isto afeta todo um conjunto e requer um novo modo de organizar e distribuir as atividades. Com conseqüências sobre a forma de administrar as organizações e a forma de trabalho das pessoas, as inovações tecnológicas são vistas, não raro, como fonte de incertezas, tanto por alterarem as características internas quanto por afetarem as condições de competição, investimento e rentabilidade das empresas (DAVENPORT, 1994). Do ponto de vista da qualidade dos produtos e serviços, a introdução de novas tecnologias tende, de fato, a contribuir para a melhoria de processos, produtos e oferta de serviços agregados aos produtos. Nesse último caso, tais serviços podem ser mais facilmente disponibilizados com o concurso das tecnologias modernas, mormente as tecnologias de informação. As tecnologias podem ser empregadas, por exemplo, para modernizar as técnicas produtivas, reduzir os tempos de produção, reduzir estoques através da integração com fornecedores. Do lado do cliente, a tecnologia pode viabilizar, num mercado massificado, o tratamento diferenciado e personalizado, o atendimento de qualidade, tudo com a intervenção de tecnologias de informação. A tecnologia é, então, um recurso altamente estratégico. Nesse sentido, para RATTNER (1984, p. 87), a tecnologia, "por sua capacidade de induzir mudanças estruturais fundamentais ao nível da organização e da produção da empresa", não permite improvisação e deve fazer parte do processo de planejamento a médio e longo prazo das organizações. É importante ainda a observação de DAVENPORT (1994) para quem "a tecnologia é dinâmica e evolui rapidamente. O rápido desenvolvimento das formas de tecnologia dificulta identificar as novas formas de organização que aparecerão no futuro". A tecnologia da informação está transformando o modo de operação das empresas e afetando todo o processo de criação de produtos. Ademais, está reformulando o próprio conceito de produto, que passa a ser visto como um pacote de bens físicos, de serviços e de informação, voltado para a criação de valor para os clientes. Para PORTER (1999) a partir do conceito de “cadeia de valores” é possível visualizar a importância da tecnologia da informação na competição. A cadeia de valores identifica as várias atividades diferenciadas, do ponto de vista tecnológico e econômico, que a empresa desempenha para atuar em seu negócio. São as chamadas "atividades de valor". Todas as atividades de valor criam e usam informação de alguma espécie. A atividade logística, por exemplo, utiliza informações como programação de entregas, preços dos transportes e planos de produção, para assegurar a entrega pontual e a eficácia em termos de custo. Uma atividade de serviços usa informações sobre as solicitações para programar visitas e compra de peças e gerar informações sobre defeitos nos produtos, que serão utilizadas pela empresa na revisão do projeto dos produtos e dos métodos de fabricação. A Tecnologia da Informação também está disseminando negócios completamente novos, exercendo um impacto muito forte sobre os relacionamentos no âmbito da negociação entre fornecedores e compradores ao afetar os elos entre as empresas e seus fornecedores, canais de distribuição e compradores. Tornam-se comuns os sistemas de informação que ultrapassam as fronteiras da empresa. Em alguns casos, alteraram-se as fronteiras dos próprios setores. Para PORTER (1999), a tecnologia da informação está alterando as relações entre escala, automação e flexibilidade, com conseqüências potencialmente profundas. A produção em grande escala deixou de ser essencial à automação. Como resultado, caíram as barreiras à entrada em vários setores. Fica claro que, para o autor, a tecnologia da informação é mais do que apenas computadores, uma questão de hardwares, devendo ser concebida de maneira ampla, para abranger as informações que a empresa cria e utiliza, assim como uma vasta gama de tecnologias convergentes e vinculadas que as processam. De forma que o conceito envolve, além de computadores, equipamentos de reconhecimento de dados, tecnologias de comunicação, automação de fábricas e outras modalidades de hardware e de serviços. Demonstrada a importância da tecnologia no processo de gestão e tomada de decisões na economia atual e as respectivas conseqüências no âmbito social, aborda-se, no próximo item, o surgimento dos Sistemas de Gestão Empresarial e a evolução dos mesmos até os dias atuais.
*Robson Paz Vieira - com formação em Computação pela UNISANTA, Pós-Graduação em Análise de Sistemas pela FECAP, MBA em Gestão Empresarial pela FGV, é professor universitário na UNIP, consultor, Mestrando em Administração com Ênfase em Liderança pela Universidade Santo Amaro (UNISA). Atualmente é o Coordenador de TI e da Gestão da Qualidade na SEISA – Assistência Médica, localizada em Guarulhos.
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