Skip to content
Você está aqui: Home arrow Criatividade - Inovação arrow O comportamento dos grupos e as equipes de brainstorming
O comportamento dos grupos e as equipes de brainstorming E-mail


Gisela Kassoy*


Foi convidado para facilitar uma sessão de brainstorming? Então o primeiro
passo é planejar a composição da equipe de participantes. Pessoas de
vários perfis, formações e culturas, inclusive de áreas não envolvidas no
projeto geralmente trazem resultados mais interessantes, mas há algumas
variáveis que precisam ser consideradas.
Em pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology dos
EUA verificou-se que um Brainstorming em equipe gerou 28 propostas,
20,8% das quais consideradas boas. O mesmo número de pessoas
trabalhando individualmente com uma demanda semelhante gerou 74
idéias, 79,2% avaliadas como boas.
Explica-se: os grupos atuam em conformidade com seus valores, e na
prática as pessoas temem falar o que não for senso comum e serem
reprovadas.
Vamos, portanto explorar mais detalhadamente a questão da
conformidade, o grande vilão da ousadia entre os times de trabalho.
Conformidade é um fenômeno social que faz com que qualquer grupo
tenda a se homogeneizar. Com o convívio, as pessoas absorvem
inconscientemente comportamentos e valores uns dos outros. Quanto mais
estreito e duradouro for o relacionamento, mais as pessoas tendem a
pensar e agir de forma semelhante.
Há também um aspecto da conformidade que é consciente: convivendo em
grupo, as pessoas desenvolvem uma boa noção do que devem ou não
devem fazer, o que “pega bem” ou não. Nesse caso, a opção entre atuar
dentro da conformidade é calculada e varia de acordo com o perfil de cada
um.
Daí a importância de chamarmos para o brainstorming pessoas que não
sejam membros das equipes, sejam elas de outras áreas ou novatas. Além
disso, as idéias enriquecem quando é convidado um cliente, por exemplo,
que necessariamente tem outros pontos de vista.
Por outro lado, seres humanos precisam sentir-se bem para poderem
opinar. Segundo William Schutz, pesquisador de Harvard, os grupos
passam pelas seguintes fases:
Inclusão - Dá início à interação. Nessa fase, os indivíduos têm necessidade
de se sentirem considerados pelos outros, de perceberem que sua
presença no grupo é de interesse para os demais.
Algumas pessoas ainda não incluídas numa equipe tendem a ser mais
observadoras e não farão nada que não seja a voz comum; outras
necessitam ser notadas e são capazes inclusive de comportamentos
dissonantes para marcar espaço. Esta dissonância não é necessariamente
construtiva, mas, em se tratando de brainstorming, o facilitador pode
aproveitá-la para incluir a pessoa nova.
Um exemplo: conduzi um grupo de desenvolvimento de estratégias de
marketing no qual um novo participante deu uma idéia profundamente
antiética, causando certo mal estar aos demais. Imediatamente eu reforcei
a regra de não censurar e desafiei o grupo a aproveitar o que havia de
viável na idéia anterior.
A pessoa e o grupo ficaram mais à vontade e a idéia acabou levando o
grupo a uma proposta bastante original, além de ética e viável.
Controle – Esta é a fase do “quem é quem”, na qual se estabelecem
relações de mando e autoridade. Nesse momento emergem os líderes, os
rebeldes, os brincalhões, os seguidores, etc. É uma fase de jogo de forças,
competição por lideranças, discussões e formulação de normas de conduta
dentro do grupo. Cada um busca atingir um lugar satisfatório às suas
necessidades de controle e influência.
O facilitador pode aproveitar os papéis recém estabelecidos. O que eu
faço, por exemplo, é pedir ao menos tímido que inicie a dar idéias.
Estimular a competição é uma faca de dois gumes: boa na fase divergente,
quando as pessoas devem contribuir com o maior número de idéias
possível, tende a ser daninha na fase de avaliação das idéias, quando a
competição fará com que cada um acredite que a própria idéia é a melhor.
Abertura – É a fase da afetividade, confidências e aceitação. Os
participantes já se sentem à vontade para discordar, colocar seus pontos
de vistas, sair da caixa.
Esta fase é o melhor dos mundos para o brainstorming, mas nem sempre
é o que vamos encontrar. Nem por isso a sessão de idéias não dará frutos:
cabe ao facilitador entender o momento da equipe e dos participantes
novos. Assim como ele pode aproveitar cada etapa conforme ela se
descortina e pode também alavancar a equipe rumo à abertura. Daí o uso
de dinâmicas de aquecimento, locais diferenciados e descontração.
E o Chefe?
Outra pergunta que me fazem com freqüência é se o chefe pode participar.
Se estivéssemos nos anos 80 eu diria que não. Atualmente, eu digo que
mesmo o mais liberal e descontraído dos chefes pode participar desde que
não seja visto como autoridade. Não falo de autoritarismo, mas da
autoridade natural de quem sabe mais. Durante a geração de idéias
ninguém sabe mais do que ninguém.
Só não recomendo que ele atue como facilitador, para não gerar confusão
entre os diferentes papéis. O facilitador está antenado no processo do
grupo e deve, portanto, estar fora do mesmo.


*Gisela Kassoy – www.inovacaocontinua.com.br www.giselakassoy.com.br
Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo é especialista em Criatividade e Inovação. Realiza
Seminários, Palestras e Consultoria sobre o tema e atua como Facilitadora de Grupos
de Geração de Idéias.
Fez formações na Universidade de Nova York em Buffalo e no Center for Creative
Leadership. Graduada em Comunicações na FAAP, é mestranda na USP e autora do
livro Porta Idéias – Um Guia Para Você Estimular, Guardar e Aprimorar Idéias.

 

Agora você pode acessar o conteúdo do livro no Google-Livros

O Sucesso é Inevitável
Clique aqui
“Conhecimento sem transformação não é sabedoria.” Paulo Coelho
 
Advertisement

Newsletter

Assine nossa NEWSLETTER e receba gratuitamente em seu e-mail artigos de nossa biblioteca eletrônica, que dispõe de temas como CARREIRA, GESTÃO E RH.

Cadastre-se gratuitamente
Advertisement