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Que é decisão? E-mail

Jerônimo Mendes*

Li certa vez num livro que se não houver ação é porque não decidimos realmente. Existe um verdadeiro poder por trás de uma decisão e, seguramente, isto impulsiona o ser humano desde os tempos mais remotos.

Quando se toma uma decisão entra em ação uma avalanche de forças físicas e espirituais, segundo alguns estudiosos como Anthony Robbins e Napoleon Hill, capazes de mover obstáculos antes inimagináveis aos mortais.

Não raramente a mídia nos presenteia com exemplos de poder da decisão, algo que não se consegue da noite para o dia, nem procrastinando como ocorre na maioria das vezes, por medo ou insegurança. É preciso ser determinado após um estudo minucioso da questão a ser decidida, mesmo sob pressão.

Qualquer executivo ambicioso almeja poder de decisão no ambiente de trabalho, porém, os que melhores decidem poucas vezes tem a oportunidade de fazê-lo. Está na alma do ser humano, dominar, decidir, sentir-se respeitado pelo comando, impor a ordem pela hierarquia, deter a informação e o poder, assim como os grandes estrategistas ao longo da história. Você já ouviu falar de Alexandre, o Médio? Isto é poder de decisão.

Hoje, porém, não podemos vencer pela força, salvo em países desprovidos de ética e bom senso, mas vivemos uma guerra de informações sem precedentes, onde cada sobrevivente disputa um pequeno espaço no mundo globalizado, repleto de desafios e incertezas.

Talvez o passo mais difícil para conseguirmos algo seja o empenho verdadeiro e não a decisão propriamente dita. A verdadeira decisão se completa após a realização do fato, sem sombra de dúvida.

No âmbito pessoal estudos mostram que pessoas bem sucedidas tomam decisões com freqüência, e rapidamente, porque não tem dúvidas a respeito dos seus valores. Por outro lado pessoas que fracassam geralmente tomam decisões devagar e mudam seus valores e idéias subitamente.

No profissional, grandes líderes geralmente são forçados a tomar decisões diariamente, de hora em hora ou em cima da hora, sem exagero, de minuto em minuto, dependendo do ambiente em que atuam.

A diferença básica entre o pessoal e profissional é que no segundo podemos decidir sob número maior de informações e isto é fundamental nas empresas, o que já não ocorre no primeiro quando nem sempre dominamos o assunto e somos obrigados a nos valer da intuição, a qual, diga-se de passagem, funciona bem melhor com as mulheres.

Decisão significa agir em cima da informação, porém nem sempre ela está ao nosso alcance. É necessário desvendá-la da mesma forma que o mestre do xadrez, ao antecipar uma jogada do adversário.

Grandes autores afirmam que a melhor maneira de aprendermos a tomar decisões corretas é tomá-las com freqüência, ou seja, quanto mais decisões, melhores elas se tornam. Não é à toa que os executivos das grandes corporações são, na sua grande maioria, homens e mulheres experientes, de faixa etária acima dos quarenta, munidos de bagagem e sabedoria proporcionada pela ação do tempo.

Contudo, isto não deve ser levado à condição extrema, há casos de sabedoria precoce e astúcia, sustentados, naturalmente, pela ambição, o ímpeto da juventude e o domínio da tecnologia. Gente que não tem nada a perder quando ainda no início de carreira tende a ser mais ousada.

Tenho feito algumas perguntas para mim mesmo após uma tomada de decisão e análise de resultados: o que há de bom em tudo isso? O que posso aprender com os erros? O que fazer para acertar mais? Tento não perguntar o que deu errado para não criar jurisprudência pessoal.

É fato que não podemos acertar todas as vezes que decidimos, mas podemos acertar a grande maioria delas, pois a classificação e a pesagem dos critérios utilizados na tomada de decisão são intrínsecas à prudência de qualquer ser humano em posição de comando.

Tive a oportunidade de trabalhar em sete empresas diferentes ao longo de vinte e quatros anos de carreira e pude observar que muitos gerentes decidem, mas não tem compromisso com a decisão. Poucos são flexíveis na execução.

Eu mesmo cometi esse erro em cargos intermediários, sendo rígido demais e cultivando muito pouco a arte da flexibilidade. O pior de tudo é que o orgulho muitas vezes inibe a reflexão e o arrependimento.

Nunca é tarde para mudar, porém, o grande mistério da vida é que quando tornamo-nos sábios está na hora de partir e não há mais tempo para nada. Caímos então na real e talvez nos reste poucos minutos para avaliar toda uma existência, mais erros que acertos, sem chance de reparação.

Nesse tempo notei também que as decisões são tomadas, com muita freqüência, sob o calor da emoção e do rompante de um ou outro que tenta impor sua idéia e dispensa a colaboração do grupo, principalmente de profissionais ligados a ele, como se a empresa fosse apenas o seu horizonte.

Hoje tenho absoluta convicção, são as decisões e não as condições que determinam o sucesso de um profissional, sem tomar o exemplo acima. Para maior consolo, a maioria deles não sobreviveu ao mundo globalizado e o próprio mercado tratou de elevá-los à condição de simples mortais uma vez que respeito e consideração aos demais não podem ser deixados de lado.

Qualquer profissional sabe que a tomada de decisão pode definir a saúda ou a permanência numa empresa. Iniciativa e decisão é tudo que se deseja no mundo pessoal e profissional. Ninguém cresce profissionalmente apenas por acatar ordens e executar tarefas, é preciso muito mais do que isso.

A produção de resultados nas organizações pode ser considerada como a somatória de uma tomada de decisões. Ninguém atinge resultados e resolve problemas se não tiver encontrado a solução ótima, a que mais se aproxima da real possibilidade.

Isso depende fundamentalmente de uma série de ponderações a respeito, as quais não devem ser tomadas à luz da sabedoria isolada e sob único ponto de vista. Até mesmo o arco-íris muda sob ângulos diferentes de visão.

Olhos e ouvidos atentos, definição exata do problema, pesagem dos critérios e geração de alternativas não bastam. Tudo isso deve ser seguido de muito equilíbrio e serenidade para se chegar ao ponto ótimo embora reconheço ser impossível agradar a todos. Nem deveria ser esse o objetivo principal.

De qualquer forma, como gestores da decisão e produtores dos melhores resultados possíveis, somos imbuídos do espírito vencedor e a lógica não permite atitudes contrárias quando se almeja subir na vida.

Em razão disso, atropelamos muitas vezes os cavalos e tomamos atitudes que nos mandariam, certamente, para o olho da rua. Contudo, não raro temos uma segunda chance.

Nosso desempenho é medido pelo número de ações coerentes em curto espaço de tempo, encaradas como decisões que agradam, principalmente, aos donos do poder e do capital.

Em geral, tal compromisso pode significar o descontentamento das camadas inferiores na hierarquia da empresa, mas é necessário assumi-lo sob pena de perdermos a oportunidade de seguir tomando decisões.

Somos pressionados a todo instante para tomar decisões. A dinâmica do mundo globalizado não permite o cometimento de erros que não possam ser corrigidos rapidamente, portanto, nosso papel é árduo e ao mesmo tempo empolgante. Por essa razão devemos exercê-lo não somente pelo bem das organizações, mas da sociedade em geral e todos sabem o quanto o mundo precisa de homens e mulheres que decidem verdadeiramente e produzem resultados.

O importante é tomar decisões com freqüência, sem titubeios, sob pena de sermos confundidos com aqueles infelizes que nada decidem, cujos problemas acabam se resolvendo por si mesmos depois de algum tempo ou quando não se dá a devida importância ao assunto.

A postura no comando do leme é decisiva para o sucesso ou o fracasso da empresa. Essa reflexão nos parece mais lógica sob o ponto de vista organizacional. Não somos os principais responsáveis por isso, mas temos obrigação de fazer jus ao papel que nos foi confiado. Portanto, nada melhor que o jogo aberto e o bom relacionamento em todos os níveis da organização.

*Jerônimo Mendes é Administrador, escritor e palestrante, Mestrando em Organizações e Desenvolvimento Local pela UNIFAE.

 

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