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Não basta participar, tem que empreender E-mail

 

Marcos Hashimoto


Esta semana participei do programa Negócios e Soluções, produzido pelo
Sebrae-SP, que vai ao ar todas as quintas-feiras à noite na TV Cultura. A
matéria foi sobre intra-empreendedorismo, tema que trato no meu livro
‘Espírito Empreendedor nas Organizações’. Em um dos meus depoimentos
que foi ao ar, explico que, na medida em que a empresa cresce, o
empreendedor precisa centralizar menos as ações e decisões sob o risco
de ver sua empresa paralisar pelo excesso de concentração de poder.
Para o empreendedor chega a ser doloroso ter que abrir mão do controle
de sua empresa para seus funcionários. O empreendedor julga que todo o
mérito do sucesso de sua empresa está em suas mãos e que dificilmente
um funcionário, por mais capacitado e competente que seja, teria
condições de conduzir sua empresa tão bem quanto ele.
O programa mostra o exemplo de uma pequena gráfica familiar
especializada em diplomas, com o depoimento de alguns de seus
funcionários que declaram sua satisfação pela confiança depositada pelos
sócios nas suas opiniões e sugestões para que possam melhorar o seu
próprio trabalho.
Em todos os lugares sempre existirão pessoas com boas idéias e vontade
de contribuir com a empresa. Obviamente nem todos os funcionários
possuem este perfil e nem é preciso que todos sejam assim. Bastam
alguns que efetivamente façam a diferença e demonstrem poder assumir
mais responsabilidades. Desta forma, estas pessoas acabam por
conquistar a confiança de seu superior, dando-lhe a segurança necessária
para começar este processo de delegação e descentralização.
Talvez a reportagem tenha dado ao espectador a impressão que intraempreendedorismo
seja a mesma coisa que gestão participativa. Acho que
cabe aqui uma explicação sobre as diferenças.
A Gestão Participativa é uma modalidade de liderança em que o líder dá
espaço para que sua equipe contribua de forma ativa no processo de
tomada de decisão. Neste modelo, todos têm a oportunidade de concordar,
discordar, gerar novas idéias, identificar restrições e riscos, etc. Ao líder
sempre cabe a decisão final, mas ele dificilmente a toma sozinho.
Normalmente ele leva em consideração as opiniões e contribuições de sua
equipe.
No intra-empreendedorismo, é fator primordial a implementação deste
modelo de gestão, mas só isto não é suficiente para se construir uma
organização intra-empreendedora. A participação deve acontecer em
outros aspectos e não apenas nas opiniões e sugestões.
Um funcionário empreendedor não se contenta apenas em dar sua opinião
para ajudar seu chefe a tomar uma decisão. Ele também quer tomar suas
próprias decisões no nível mais estratégico, assumir mais
responsabilidades, dedicar-se pessoalmente a colocar sua idéia em prática.
O intra-empreendedor é ativo, foca os resultados, tem iniciativa. Para ele,
a gestão participativa é uma importante abertura que ele conquista, mas
seu desejo por liberdade clama por mais espaço ainda.
Um líder empreendedor, por outro lado, sabe identificar estes talentos
empreendedores e sabe que pode diminuir o controle sobre eles. O grau
de confiança aumenta e ele se sente mais à vontade para lhe passar mais
atribuições. Para o líder empreendedor, a gestão participativa é o primeiro
passo para começar a diferenciar quem quer apenas participar da gestão
daqueles que efetivamente podem assumir o controle da situação,
compartilhando riscos e assumindo a liderança por ele.
Uma organização intra-empreendedora, por fim, garante a formação de
uma cultura em que as amarras dos controles são minimizadas para
permitir o florescimento dos intra-empreendedores. Por definição, toda
organização intra-empreendedora já pratica obrigatoriamente a gestão
participativa. Embora muitas mudanças sejam necessárias para se
implementar este modelo de gestão, muitas outras, mais profundas, são
fundamentais para construir uma cultura em que as pessoas sintam-se
parte ativa do negócio. Dentre estas condições, podemos citar a extinção
do modelo de cargos, a eliminação da estrutura hierárquica-piramidal, a
expansão dos limites da organização para incluir parceiros, clientes e
fornecedores e até mesmo uma flexibilização nos critérios de
investimentos em projetos internos.
O intra-empreendedorismo não acontece de uma vez. A cultura precisa ser
construída aos poucos e a implementação de um modelo de gestão
participativa é uma das etapas neste sentido. É uma forma de criar
relações de confiança e de comprometimento mútuos. Na medida em que
as pessoas sentem-se à vontade para tomar iniciativas e fazer
experiências em prol da empresa, assumindo os riscos inerentes, eles
começam a adotar um comportamento desejado em qualquer organização:
O comportamento de dono do negócio.
Lembra-se daquela propaganda do Gelol? Sempre terminava com a
seguinte frase: ‘Não basta ser pai, tem que participar’. Pois pense que
para seus funcionários, não basta participar, tem que empreender.

 

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