Skip to content
Você está aqui: Home arrow Empreendedorismo arrow Nas mãos de "anjos"
Nas mãos de "anjos" E-mail

 

Melissa Diniz - free-lance para a Folha

Grupos de investidores em capital de risco fazem a ponte entre empresas nascentes e o mercado oferecendo aporte financeiro e intelectual a novos empreendedores

Uma boa idéia na cabeça e dinamismo nem sempre são suficientes para alavancar um negócio. Nesse caso, uma das opções que o empreendedor tem é rezar -seja para conseguir capital, contatos e experiência, seja para que um anjo entre na sua vida.
É isso mesmo, e não se trata de esoterismo nem de religião. Os investidores-anjo podem ser a ponte necessária para fazer com que uma grande idéia salte do papel.
O Rio de Janeiro já conta com um grupo organizado atuando formalmente. Em outros Estados, uma série de anjos age em carreira solo. Saiba como eles trabalham, que tipo de projeto os atrai e o valor dos investimentos realizados.

Investidores ajudam novatos com experiência e recursos e tornam-se sócios temporários

Aporte pode chegar a R$ 1 milhão
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Populares nos Estados Unidos e em alguns países europeus, os investidores-anjo começaram a entrar no país, discretamente, desde a década de 90. A notícia é boa para micro e pequenos empresários que não sabem como fazer seu negócio nascer ou decolar.
O termo refere-se a executivos de sucesso, quase sempre já aposentados, que procuram novos negócios para aplicar capital e experiência. Essa modalidade de investimento, segundo especialistas, está em ascensão. Prova disso é o Gávea Angels, primeiro grupo brasileiro do gênero, que foi criado em dezembro de 2002 e já começa a dar seus primeiros frutos -isto é, a "apadrinhar" pequenos empreendedores.
"Empresas novas, em geral, contam com o "love capital" [ajuda que vem de família e amigos] ou com os fundos de investimento, que só são disponibilizados quando as empresas já têm capital suficiente e podem dar garantias de pagamento", afirma Ernesto Weber, presidente do Conselho Diretor do Gávea Angels.
A exemplo de Weber, que é engenheiro e ex-presidente da Petrobras, os outros dez membros do grupo são executivos com, em média, 30 anos de experiência que hoje se dedicam a alavancar empresas nascentes investindo recursos de até R$ 1 milhão.

Seleção
Para receber a aplicação, a empresa precisa oferecer uma proposta inovadora (desenvolvimento de novas tecnologias têm prioridade) e estar localizada a até 200 km do Rio de Janeiro, para que os "anjos" possam acompanhar o trabalho de perto.
Os interessados preparam um plano de negócios dizendo quanto querem levantar e para quê, e, a partir daí, o comitê de operações seleciona quais irão participar do fórum de negócios -realizam duas edições por ano, mas o plano é aumentar para quatro.
O evento visa aproximar empreendedores e "anjos". "É um investimento de risco [não há garantias de lucro]. Por isso é feito individualmente, embora a análise seja conjunta", afirma Weber.
A iniciativa de formar um time brasileiro de investidores, baseado em experiências como as do Band of Angels e do Tech Coast Angels, grupos norte-americanos já consolidados, partiu de professores ligados ao Instituto Gênesis da PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro.
"Precisávamos juntar pessoas que pudessem ter um laço, por isso optamos por antigos alunos da universidade", diz J.A. Pimenta-Bueno, coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas.

Na riqueza e na pobreza
Ao investir na empresa, o "anjo" torna-se sócio temporário dela até que o empreendimento ganhe forças e possa andar com as próprias pernas. Em geral, quando as empresas crescem, são vendidas para grupos maiores, fazendo com os que "anjos" não só recuperem seu capital como também obtenham lucro.
Exemplo disso foi o que aconteceu com a MHW, empresa de desenvolvimento de softwares para ensino a distância. Com a ajuda, o empreendimento atingiu o capital necessário para alcançar os fundos de investimento e foi vendido para uma companhia maior, garantindo aos investidores 100% de lucro (leia à pág. 23).
Outro exemplo de como os "anjos" podem fazer diferença é a nTime, que produz softwares para celulares. "A ajuda dos "anjos" nos permitiu conquistar grandes clientes e parceiros", afirma Rafael Duton, sócio da nTime.
Iniciativas similares à do grupo carioca começam a aparecer em outras partes do país. Na Bahia, uma parceria entre o Instituto Euvaldo Lodi, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Banco do Nordeste deu origem ao "Bahia Angels", rede em formação de apoio estratégico ao empreendedorismo local.

Inscrições de planos de negócios: www.gaveaangels.org.br e www.fieb.org.br/iel

Da Broadway para o mundo dos negócios
FREE-LANCE PARA A FOLHA

O berço dos investidores-anjo, de acordo com Pimenta-Bueno, foi a Broadway, no começo do século passado. Naquela época, musicais e peças de teatro que queriam entrar no circuito artístico mais cobiçado contavam com o auxílio de pessoas endinheiradas, que os transformavam em espetáculos luxuosos.
"Esses foram os primeiros "anjos", que migraram para o mundo dos negócios propriamente dito uns 50 anos depois", afirma o professor. "Eles entraram para preencher uma lacuna, pois quem não tem estatura não tem acesso ao mercado financeiro. E esse gargalo retarda o crescimento das empresas."
Estimativas apontam que atualmente existem quase 250 mil pessoas desempenhando esse tipo de atividade nos Estados Unidos. Os "anjos" também se espalharam por outros países desenvolvidos, principalmente na Europa. No Brasil, o movimento foi mais lento. "Somos um país de capitalismo tardio, sobretudo quando pensamos em desenvolvimento tecnológico", diz Pimenta-Bueno.
Nos Estados Unidos, o papel desses investidores é altamente reconhecido. "Os "anjos" são verdadeiros fomentadores da economia norte-americana, são agentes responsáveis pelo crescimento do país", diz Rafael Duton, diretor-executivo da nTime, que desenvolve softwares para entretenimento e gerenciamento de informações através de celulares. A empresa, que nasceu na incubadora da PUC-RJ, também deve aos "anjos" sua consolidação no mercado.
Projetos inovadores têm mais pontos com "anjos"

   
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Embora ofereçam serviços bem diferentes, as empresas Papel Virtual e EuMudei têm duas características em comum. Desenvolvem soluções simples para problemas que, caso contrário, poderiam sair caros ou dar muita dor de cabeça a seus clientes e estão entre as primeiras empresas selecionadas pelo Gávea Angels para receber investimentos.
A editora Papel Virtual, por exemplo, permite ao autor publicar apenas uma cópia de seu livro, caso seja essa a sua vontade, por um preço acessível. "Todo nosso processo é a laser e, portanto, não tem os altos custos das editoras tradicionais", explica o editor-chefe Tomaz Adour. "Publicamos autores que tenham interesse em pequenas tiragens, como um professor que queira fazer 50 exemplares de uma apostila a um baixo custo para seus alunos", diz.
Para Adour, programas de investimento como o do Gávea Angels são fundamentais para o desenvolvimento de novas idéias. "Quando começamos a empresa, procuramos vários fundos, mas todos eles falavam na casa dos milhões de reais. Com a ajuda dos "anjos", teremos o capital necessário, sem excesso", conta.
Já o serviço oferecido pela pequena EuMudei é conectar empresas a clientes que estejam mudando de endereço. "Isso ajuda as companhias a reduzirem seus custos, porque não perdem o contato com as pessoas. E também reduz o estresse do consumidor, que não precisa ficar ligando para todas as operadoras e prestadoras de serviço para informar os novos contatos para o recebimento de contas", explica Cesar Mastrangelo, criador da empresa.
De acordo com ele, o mais importante da ajuda recebida foram as instruções de planejamento e de gestão empresarial. "Não queríamos investimentos de fundos, que só atuam do ponto de vista financeiro. Queríamos gente que pudesse nos assessorar", diz.

Endeavor também ajuda na captação de investimentos
FREE-LANCE PARA A FOLHA

O Instituto Empreender Endeavor, uma organização internacional sem fins lucrativos, realiza um trabalho semelhante ao dos "anjos".
O objetivo da ONG é gerar emprego e renda oferecendo aos empresários oportunidades de crescimento.
"Ajudamos os empreendedores a levantar capital, apresentamos fundos de interesse estratégico e viabilizamos o fechamento dos negócios. Mas entendemos que dinheiro não é tudo, por isso também fazemos um trabalho de assessoria e aconselhamento empresarial", afirma Carlos Pessoa Filho, gerente de serviços da ONG.
Há uma rede de executivos de sucesso que prestam auxílio voluntário. Há quatro anos no país, a Endeavor (www.endeavor.org.br/) já auxiliou mais de 11 mil empreendedores.


TRAMPOLIM

Grupo teve apoio de dez professores-anjo

Parceria de faculdade gera lucro de 100%
FREE-LANCE PARA A FOLHA

Aos 32 anos, o empresário Franklin Madruga Luzes é gerente da Microsoft, posição alcançada após construir uma trajetória de sucesso na MHW. A empresa de desenvolvimento de softwares para ensino a distância foi aberta em sociedade com outros três colegas ainda na faculdade.
"Participamos da incubadora de empresas da PUC-RJ", conta. "A partir daí, tivemos acesso aos professores de engenharia de computação e de empreendedorismo e pudemos contar com a ajuda de dez deles que atuavam como "anjos"."
A parceria com os professores, que se tornaram sócios da empresa, oferecendo conhecimento especializado e capital, foi decisiva para o crescimento do negócio. "Com o investimento que recebemos, a MHW saiu da incubadora com R$ 1 milhão de faturamento e 26 funcionários."
Já com o aporte necessário, a empresa conseguiu capital de fundos americanos e se consolidou no mercado. Em seguida, foi vendida para a gigante Xerox, o que garantiu aos "anjos" 100% de lucro sobre o investimento, segundo conta Luzes.
"Com a ajuda dos "anjos", em pouco tempo atingimos sucesso, as portas se abriram e conseguimos canais de venda em todo o Brasil e na América Latina", diz. A atuação bem-sucedida na MHW rendeu a Luzes vários prêmios, entre eles o de "empreendedor do ano", concedido por uma consultoria multinacional.

 

Agora você pode acessar o conteúdo do livro no Google-Livros

O Sucesso é Inevitável
Clique aqui
“Nós aprendemos a voar com os pássaros, a nadar com os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.” Martin Luther King
 
Advertisement

Newsletter

Assine nossa NEWSLETTER e receba gratuitamente em seu e-mail artigos de nossa biblioteca eletrônica, que dispõe de temas como CARREIRA, GESTÃO E RH.

Cadastre-se gratuitamente
Advertisement