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A guerra das cervejas e as guerras de todos nós: É possível concorrer de forma ética? E-mail
 

A Guerra das Cervejas continua dando pano para a manga. E cá entre nós, desconfio até que ela ajuda todo o setor, afinal, estamos falando sobre cervejas até quando tomamos cafezinho...

 

E pensando bem, faz sentido: já que os anunciantes não podem mais mostrar belas mulheres, acharam outra forma de mostrar que cerveja ainda é coisa de macho...Até aí, tudo bem. Feminismos a parte, está até divertido.

 

Mas podemos analisar essa guerra de outro ângulo, que é o da ética. Há um paradigma muito forte entre nós que nos ensina que para vencer é preciso destruir o inimigo.

 

Para começo de conversa, nosso concorrente não é nosso inimigo, é apenas uma pessoa que resolveu fazer a mesma coisa que nós. E tem mais: junto a ele podemos fazer crescer um setor, estabelecer intercâmbios, reduzir os custos de ambos. Tudo isso eticamente, já que não estou falando de estabelecimento de cartéis.

 

Mas o mais importante é percebermos como a concorrência nos desafia, nos torna melhores. Seja sincero, V. se prepararia tanto para uma entrevista de seleção se fosse o único a ser entrevistado? V. se empenharia tanto em vender seu produto se seu cliente potencial não pudesse comprar a mesma coisa na outra esquina?

 

É por isso que a concorrência nos parece algo excelente quando somos clientes e péssimo quando somos fornecedores.

 

Mas, se não for para destruir o concorrente, o que fazer para vence-lo? Diz a voz comum, que para superar o concorrente é preciso ser o melhor. Mas o que é ser melhor? Como ser melhor se a definição de melhor varia de pessoa para pessoa e de empresa e para empresa? Querer ser o melhor elimina o foco e a identidade e leva a contradições. É possível vender um produto luxuoso por um preço super barato? É possível ser super esforçado com muita qualidade de vida?

 

Fala-se muito também em ser, fazer ou apresentar algo diferente. É verdade que o original já trás consigo a vantagem da surpresa. Mas a reação do cliente, do mercado, do chefe ou do contratante também poderá uma surpresa para nós, boa ou má.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A originalidade é, sem dúvida o começo do caminho, mas vende mesmo aquilo que é especial, ou seja, diferente, mas que responde à necessidade de alguém, não se trata de inovar por inovar. Se houvesse uma receita, o especial teria muita criatividade, altas doses de interesse pelo outro e algumas pitadas de risco e muito monitoramento dos resultados.

 

E a concorrência, como é que fica? Haverá sempre espaço para o especial. E haverá outros espaços para outras especialidades. A evolução do meu concorrente provocará a minha evolução. Minha evolução provocará a de meu concorrente. Trata-se de uma guerra sem trégua, mas sem agressão nem destruição. E com muito crescimento. Para concorrentes, clientes, empresas e a sociedade.

 

Gisela Kassoy atua com consultoria, seminários e palestras sobre Criatividade, Inovação e Transformações Organizacionais.

 

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