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Gilberto Wiesel * Na semana que passou, percebi que algumas atitudes que achamos insignificantes podem ser de grande valor para nossa vida. Estava passando uns dias na fazenda de um amigo, e como em todo estado do Rio Grande do Sul, eles também enfrentam uma forte estiagem. Lá acompanhei alguns procedimentos para aliviar a falta d'água. Como o poço artesiano havia secado, eles apelaram para o poço antigo feito de pedra. Ele também estava seco. Resolveram então olhar para os açudes existentes na propriedade que, diga-se de passagem, também estavam em estado lastimável. Porém, não havia outra saída, ao menos para tomar banho, teriam que se submeter a ele. Água não muito clara, mas servia para a manutenção básica. Vocês conseguem imaginar, no campo, onde o trabalho é duro, em baixo de muito sol, um dia estafante, você chegar em casa e não ter como tomar banho? Era esta situação que aqueles amigos estavam passando. Quanto à água do açude, era pegar ou largar. Qual foi a decisão? Pegar é lógico e de qualquer jeito. Bem, onde quero chegar com isso? É que essa decisão parecia simples, mas não era, pois envolvia uma série de estratégias. Vários foram os questionamentos. Acompanhem a seqüência: 1. Como vamos colocar a água do açude dentro da caixa d'água? 2. Como transportá-la? 3. De qual açude retirar a água? Acompanhando em silêncio o andamento daquela reunião informal, dei-me conta que no meio daquelas pessoas humildes sem escolaridade alguma eu estava diante de um planejamento estratégico. Era como se estivesse em uma empresa. De um modo singelo e prático, foram discutindo e montando tudo o que era necessário para chegar ao objetivo. Encontraram a maneira de colocar a água na caixa, que aconteceu através de uma bomba de sucção, acharam a maneira de buscar a água, que foi através de um tanque de grande proporção que tinha na propriedade, e também depois de discutir e analisar chegaram a conclusão de qual local tirariam a água. De posse de todas as informações, foram literalmente a campo.Tudo dando certo, claro com alguns percalços normais no caminho, como em qualquer planejamento. Ocorre que, como não poderia deixar de ser, após terem enchido o tanque e levado o mesmo para que a água fosse colocada na caixa d'água através da bomba, surgiu o grande problema. A dita bomba que puxaria a água para caixa não entrava no tanque. Pronto, a primeira pergunta. E agora? Eu analisando toda aquela situação, interagindo com aquelas pessoas, e pensando ao mesmo tempo em tudo o que havia passado e aprendido dentro das empresas, traçava um paralelo entre as partes, observando atentamente tudo o que se passava. Após o primeiro momento de paralisia, começaram a surgir às opiniões, que para nós os letrados, seriam as idéias. Depois de muita discussão chegou-se a conclusão do que fazer. Colocaram em prática e logo perceberam que não era a melhor maneira para executar o determinado trabalho, porém, foi-se aprimorando, tirando daqui, colocando lá, etc, até que finalmente o melhor acontecesse, ou seja, funcionou, finalmente a caixa d'água estava cheia e logo estaríamos todos tomando banho. O melhor banho de nossa vida! O fato mais importante é que durante todas as etapas que se passaram, em nenhum momento houve estresse, pressão ou cobrança. Tudo foi realizado na mais perfeita harmonia e respeito.Tudo era motivo para uma boa risada, uma piada providencial, uma brincadeira. Lembrem-se, quero recordar que estou falando de pessoas sem estudo, sem pós-graduação, doutorado, mestrado, etc. Estou falando de trabalhadores rurais, peões de estância, porém grandes pessoas e esforçados seres humanos. Quanto aprendizado! Que lições tirar desta pequena história real? 1- Onde menos esperamos podem estar os maiores e melhores ensinamentos; 2- Respeito. Ouvir as pessoas e prestar atenção no que elas têm para nos dizer; 3- Sorrir muito, descontrair, pois desta forma as nossas idéias surgem mais facilmente; 4- Saber onde queremos chegar; 5- É na simplicidade que estão as melhores soluções. Não complique; 6- Não queira ser melhor do que as pessoas que não têm o mesmo estudo e oportunidade que você teve, onde menos esperamos surgem as melhores cabeças; 7- Seja humilde, observe, aproveite para aprender, sempre é tempo; Afinal a seca que castiga o estado do RS impõem uma postura nova em toda parte, do campo à cidade. É a empresa da vida convidando para olhar o velho mundo com olhos novos. A chuva é uma necessidade vital, mas na falta dela o que podemos fazer para não secarmos feito o verde dos campos. Afinal, o mundo precisa de nós, do nosso bom senso, das nossas melhores especialidades, do nosso empenho, das nossas idéias, do nosso melhor. Não importa realmente o nosso grau de escolaridade o que realmente tem importância é a nossa motivação para resolver, para solucionar. É tempo de sermos estrategistas, pois não é para qualquer um sobreviver quando tudo a volta está com sede e quando a chuva insiste em ausentar-se!
Gilberto Wiesel é Conferencista Motivacional nas áreas de Vendas, Marketing, Atendimento e Relações Humanas. Graduado em Adminstração, Pós-graduado em Marketing e Vendas, Consultor de Empresas, Especialista em Transformação Pessoal, Formação de Líderes e Empreendedores. Autor do Livro: Você em Primeiro Lugar e do CD Um Tempo Para Vida. Fundador do Portal da Motivação. www.gilbertowiesel.com.br |