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Gestão do conhecimento: uma estratégia humana E-mail

 

Armando Correa de Siqueira Neto*

O conhecimento chegou ao status de ser o capital que movimenta a era pós-moderna. O homem, que o produz, tem a seu dispor a construção e os resultados deste saber, com a parceria de sofisticadas tecnologias: comunicação e sistemas de informação, internet, tele e vídeo-conferência etc. Através delas é possível manter-se conectado de forma global em relação ao mundo e as suas incessantes informações. Todavia, confunde-se o criador com a sua criação, demonstrando que ela independe de sua origem, e a compreende como algo exterior e independente a ele. Ou seja, o conhecimento tornou-se objeto externo em razão de sua aplicabilidade objetiva para se empreender e, então, o seu valor é bem recompensado através da troca realizada por poder, dinheiro e permanência na vida profissional, via de regra. Neste modelo de compra e venda, a detenção do conhecimento caracteriza a posse de direito de quem o obteve. Muitas pessoas sonham em ter grandes e criativas idéias para dispô-las neste mercado altamente comprador. Reduz-se a identificação da obra pelo obreiro, ainda que aparentemente, a medida em que o seu direito encontra limite na divisa da permuta negociada. Soluções imediatistas para reter o conhecimento, este bem tão valioso, conferem-lhe a conotação que tem o dinheiro, levando muitas pessoas a guardá-lo num cofre, e em termos atuais, no banco de dados. É claro que é necessário guardar o leite em vasilha adequada, no entanto, o seu uso pertence ao fluxo que alimenta a quem tem fome, do contrário, ele azeda e tem outro destino, incluindo até a sua perda. O mesmo vale para o dinheiro que é apenas um código que é decodificado cada vez que ocorre uma demanda pertinente. E o conhecimento, por sua vez, é parte deste sistema de utilização contínua também. Mantê-lo apenas guardado é reduzir-lhe o potencial de uso gradativamente, tendo em vista a sua obsolescência. Por outro lado existe o conhecimento atemporal, aquele que
se perpetua através do tempo e não envelhece, contudo, de nada vale se não encontra acesso na relação ensino-aprendizagem, permanecendo estático em sua redoma de proteção exagerada. É neste ponto que se encontra a necessidade de intervenção, ou melhor, de gestão do saber. Ter conhecimento é necessário, geri-lo é vital. Existem maneiras de se cuidar desta operação tão importante, que vão desde a utilização de simples conversas e reuniões, uso de e-mail, internet e intranet, fóruns, multiplicadores de conhecimento, até a implantação deste tipo de cultura na organização, mobilizando um universo maior de recursos para se atingir a refinada gestão em foco. Neste caso cultural, leva-se em alta conta os stakeholders (colaboradores, fornecedores etc envolvidos com o empreendimento) na captação cotidiana de dados e informações que são úteis inclusive na formação do planejamento estratégico – e quem mais poderia deter as informações relacionadas à sua própria experiência profissional e intimidade com a organização? Apesar disso, deve-se retomar o problema inicial: como restabelecer o conhecimento ao seu ponto de origem para obter o uso necessário, se ele é entendido como algo exterior e quase alheio a quem o produz? Este desafio repousa sobre a apropriação que deve ser desenvolvida como um acontecimento cultural das organizações, até se transformar em fato corrente. A liderança tem relevância nesta empresa, ao desenvolver as competências que lhe são cruciais: a influência ao invés da imposição, a comunicação ampla e empática ao invés da ordem de mão única e da antipatia decorrente, a aprendizagem de mão dupla que educa as maneiras múltiplas de se gerar o conhecimento e utilizá-lo largamente, a tecnologia como recurso e não um fim em si mesma, a motivação intrínseca ao invés de só oferecer reforços externos e passageiros, a ética e a confiança que permeiam a relação segura e duradoura ao invés do oportunismo clássico em cuja bandeira encontra-se escrito: “Salve-se quem puder”, o propósito compartilhado ao invés da missão ego-identificada, a mudança como processo natural e participativo e não apenas como um marco que divide aqueles que se adaptaram e os que passaram a compor a lista-negra da alta cúpula. A gestão do conhecimento deve estar alicerçada no próprio conhecimento a respeito do ser humano e de suas necessidades naturais, pessoais e sociais. Primeiramente, cuida-se da gestão de pessoas, para em
seguida ou em paralelo, cuidar de qualquer outro assunto, especialmente o conhecimento e a sua maneira mais adequada e particular de convivência. O saber nasce do homem e é através dele, logicamente, que é possível encontrar as maneiras de se lidar com tal produção. O conhecimento fica disponível e pertence a todos e ao fluxo de sua utilização, retomando a sua maior propriedade: o exercício educativo e o seu caráter formador. Então, ao entrar em contato com esta teia cultural do saber, e encontrando espaço para fluir, o ser humano colabora comunitariamente com esta necessidade de mercado; usando a sua maior arma: o conhecimento.

*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, consultor, conferencista e escritor. É professor de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de Limeira/SP, e de Pedagogia Empresarial pela Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu/SP. É mestrando em Liderança pela Unisa Business School. E-mail: Este endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo

 

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