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Procura-se profissional com autonomia E-mail


Armando Correa de Siqueira Neto*


Sabe-se que estamos na era das informações e do conhecimento e,
portanto, quem os detiver em maior quantidade e, sobretudo em
qualidade, encontrar-se-á em posição privilegiada, haja vista as
organizações ao redor do mundo buscarem, com empenho, pessoas desta
magnitude.
O mercado atual indica as muitas transformações pelas quais vem
passando, dando destaque ao novo modelo de trabalhador que precisa: o
multiprofissional, capaz de liderar a si mesmo e aos demais de convívio,
ter conhecimentos técnicos e variados com aprofundamento, desenvolver
habilidades de planejamento, execução e controle dos projetos aos quais
está ligado e, principalmente, ser criativo e agente de soluções, com
autonomia. É neste ponto, que trata sobre a capacidade de ser
independente e auto-motivado para a vida e os resultados, que se
encontra o foco das necessidades atuais em toda parte.
A cultura de muitas organizações está centrada na idéia do autoritarismo,
e com isso, reduz-se as chances de abertura e maior participação das
pessoas que nelas trabalham. O perfil de empregado, desde há muito
tempo, é o de aguardar ordens e cumpri-las. Tanto que existe a já
conhecida frase: “Você não é pago para pensar, apenas obedeça”. Em
decorrência, estabeleceu-se um arraigado hábito de ser pouco ativo, com
relação à autonomia, gerando assim, uma forma mais limitada de se
administrar os obstáculos que sempre surgem no cotidiano.
No entanto, o panorama social demonstra novidades sobre a questão
passividade-autonomia, levando muitas pessoas a transitar por outros
caminhos, na busca por uma independência que precisa ser conquistada,
ainda que a duras penas, uma vez que velhos hábitos resistem a novas e
necessárias transformações. Inércia, rejeição e indecisão são parte do
processo de mudança no ser humano, até que se alcance a adaptação.
Entretanto, ressalva-se que de nada adianta convidar as pessoas às
mudanças desta envergadura, da noite para o dia, e esperar que elas
simplesmente compreendam e aceite o novo modelo de ser e agir. É
preciso oferecer tempo, educação e boa vontade a elas, para que possam
construir, internamente, o seu novo entendimento e acomodação de coisas
tão diferentes, das quais estavam acostumadas.
Algumas organizações investem em programas de treinamento com foco
na auto-gestão, de forma intensiva, a fim de facilitar a construção de
autonomia em seus colaboradores. Elas carecem de gente que solucione os
problemas diários, reduzindo custos e aumentando as suas chances
competitivas no mercado. Pessoas que antigamente resolviam os
problemas com exclusividade foram demitidas, enxugando o quadro de
profissionais intermediários. Ou seja, a coisa acontece entre a cúpula e a
mão-de-obra operacional. Tudo precisa ser resolvido a partir desta nova
realidade. Portanto, é preciso preparar, educando cada pessoa que integra
a organização.
Há outro exemplo a respeito da autonomia: a educação. Teorias e muitas
discussões públicas e privadas, e projetos sobre a formação educacional
contam com estratégias que visam a construção de um ser humano agente
das transformações sociais; mais participativo e colaborador. Nas palavras
de Paulo Freire: “Ensinar não é transferir conhecimento”, a relação entre
aluno e professor deve ganhar espaço para indagações, curiosidade,
respeitando o ser crítico, inquiridor e inquieto. Para colaborar: “como
professor é preciso ser um aventureiro responsável, predisposto à
mudança, à aceitação do diferente”. Desta forma, afasta-se o tradicional
modelo de controlar os alunos através de imposições conceituais sobre
este ou aquele assunto. Constrói-se em conjunto, por meio da contribuição
que permite participação e, conseqüentemente, mais independência.
Tenciona-se, também, com novas perspectivas do ensino superior, fazer
uma conexão entre a teoria e a prática. Os estágios tradicionais não dão
conta de capacitar os alunos à vida profissional, ocasionando dificuldade de
como aplicar o conhecimento na prática de solução de problemas. Com
estes objetivos, almeja-se, ainda, a provocação científico-profissional no
estudante, para que ele não repita apenas o que leu ou observou, mas que
avance com pesquisa e contribua com nova produção de sua autoria,
estruturada e consistente. Há quase dois milênios e meio, o filósofo
Sócrates afirmava que o verdadeiro conhecimento nasce do diálogo; não é
transmissível do mestre ao aluno, porém extraído do interior de uma
discussão. E, somente a autonomia desenvolvida internamente, é capaz de
proporcionar este tipo de resultado nas pessoas, tornado-as mais capazes
e motivadas para empreender na vida e no trabalho, lembrando que a
auto-estima encontrará, natural e decorrentemente, espaço para a sua
elevação no progresso que se estabelece.
Bem, as organizações: escolas, empresas e instituições diversas, abrem-se
para esta mudança crucial do ser humano, movendo esforços para
promover a autonomia. Contudo, vale lembrar que uma palavra-chave
para alcançar este objetivo é a aprendizagem. Ela permite que ocorra a
mudança, principalmente pelo fato de a cultura ter de acompanhar esta
revolução.
Agir com conhecimento, motivação, planejamento, criatividade, mudança,
objetivos e persistência abrem novas vias de acesso à capacidade ilimitada
de desenvolvimento que o ser humano possui. A autonomia é um bem
valioso a ser conquistado, e merece a atenção constante das pessoas.
Aprender sempre é uma regra de sobrevivência e de evolução. Entretanto,
é preciso atitude; o primeiro passo para sair do lugar comum. As
dificuldades se farão presentes, porém, os resultados justificam os
sacrifícios.
Portanto, o mercado reconhece a autonomia profissional e estende o seu
tapete vermelho àqueles que compreendem a prisão exercida pela
passividade, e modificam-se, desenvolvendo em si mesmos a autonomia, e
com isso, são construtores dos fatos históricos, além de participar muito
mais da solução de problemas que fazem parte da vida e conspiram para o
desenvolvimento.
Vive-se um novo momento, no qual todos precisamos arregaçar as
mangas, buscar conhecimento, trabalhar os medos, colaborar mais
mutuamente, andar por caminhos desconhecidos, avaliar e refletir com
mais empenho. Obtém-se ganhos desta forma, não apenas no campo
individual, mas no comunitário, sem esquecer-se, é claro, que se deixa às
futuras gerações uma cultura de maior ação e resultados, senão, no
mínimo, um campo fértil para que as próximas sementes sejam plantadas
e colhidas conforme os passos dados por quem deseje a sua autonomia
também.


*Armando Correa de Siqueira Neto é psicólogo, consultor, conferencista e escritor.
Professor de Gestão de RH pela Faculdade de Administração de Limeira-SP. Professor
de Pedagogia Empresarial pela Faculdade Maria Imaculada de Mogi Guaçu-SP. É
mestrando em Liderança pela Unisa Business School.
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