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A Companhia sou EU E-mail

 

Laila Vanetti

“Vivemos num mundo feito de marcas registradas.”

Só essa afirmação inicial de Tom Peters já seria assunto para alguns artigos. Afinal de contas, estamos falando de uma das maiores autoridades do mundo quando o assunto é Gestão Empresarial. 

“Está na hora de você – e eu – aprender alguma coisa com as grandes marcas. É uma lição válida para qualquer pessoa interessada em saber o que é preciso para destacar-se e prosperar no novo mundo do trabalho . (...) todos nós precisamos compreender a importância de criar marcas registradas. Somos os executivos-chefes de nossas próprias empresas: Eu S/A.”

Essas e outras idéias do autor, que podem ser encontradas na edição de 27 de agosto de 1997 da revista Exame, sintetizam muito bem as preocupações que o profissional do novo milênio precisa ter quando se trata de sua imagem profissional. Muito mais do que ficar fazendo variações sobre o mesmo tema, ou seja, bater na tecla da importância disso ou daquilo, preferimos fazer uma espécie de estudo comparativo entre o que, de fato, mudou no que cerne à administração de carreiras.

No excelente A Era do EU S/A  (2004) Marlene Theodoro destaca que:

“Historicamente, a disseminação da ‘vontade de vencer’ já acontece na passagem do século XIX para o XX, com a burocratização da carreira empresarial. A possibilidade de ter ‘sucesso na vida’ passa a ser um conceito, em certa medida, democratizante: pressupõe necessariamente a competição no mercado. Mas, com a proliferação de inúmeros postos na estrutura organizacional das empresas, existe agora um redimensionamento do valor e do mérito profissionais.” (pg. 17).

Theodoro tem toda a razão quando fala dessa vontade de vencer e dessa burocratização da carreira empresarial, num movimento que podemos caracterizar como ‘Em busca do ouro... de tolo’. Sim, pois, nos dias de hoje, atitudes do tipo: ‘tenho um bom emprego e estou com o futuro garantido’ são, no mínimo, ingênuas. É inadmissível contar com um profissional que pense apenas na garantia do seu futuro, mesmo porque, como garantir esse futuro se a estrutura empresarial vai mal? Não parece, contudo, ainda há, em boa parte do mundo corporativo, pessoas que pensam que o grande salto na carreira está em obter uma promoção, acompanhada de um vultoso aumento de salário. O problema é que isso, por si só, não basta. As décadas de 70 e 80, quando ingressar numa grande empresa era, praticamente, sinônimo de aposentadoria garantida, já acabaram há muito tempo.  Hoje, temos diante de nossos olhos uma nova forma de encarar o universo competitivo do mercado de trabalho: ou todos vestem a camisa do EU ou a fracasso será inevitável. Em outras palavras: não dá para separar o NÓS do EU.

Antes que vocês achem que este texto está embarcando numa viagem só de ida rumo à contradição, esclareço que, embora muitos não acreditem, as duas instancias, EU e NÓS estão intimamente ligadas. Neste sentido, faço coro com as palavras de outra autoridade no quesito Gestão de Empresas: Stephen Covey:

“Só é bom chefe quem sabe comemorar a vitória de um chefiado como se fosse sua. (...) Em uma pesquisa feita com 23.000 executivos nas maiores empresas dos Estados Unidos, apenas 15% disseram ter instituído um ambiente de confiança entre seus subordinados. Na maioria dos casos, há desconfiança e medo. O resultado disso é desastroso porque os funcionários, inseguros, passam a relatar ao chefe apenas o que acham que ele quer ouvir.”
(Stephen Covey em entrevista concedida à Veja, 26 de março de 2005).

Apesar de vivermos numa das épocas mais individualistas de toda a história, achar que o mundo gira em torno de um cargo é uma temeridade. A conquista do tão almejado prestígio individual pode parecer o supra-sumo da maravilha. Entretanto, nesses tempos em que a empregabilidade passa impreterivelmente pelos resultados obtidos, me parece um paradoxo o sujeito pensar unicamente em si próprio e no quanto pode, sozinho, ganhar de benefícios. Quanto mais os profissionais de uma empresa se conscientizarem de que a melhor fórmula de atingirem os objetivos é ‘fechando o grupo’, formando um time e ‘jogando’ pela vitória, mais rapidamente os resultados aparecerão. É o NÓS pensando cada vez mais no EU. Assim, todos crescem e a marca registrada da empresa não fica restrita a um ou outro diretor executivo. Melhor do que dizer: ‘a companhia é o Doutor’, é dizer ‘a companhia é o Doutor, é o Gerente, é a Telefonista, é o Faxineiro... a companhia, meu amigo, sou EU’. Agora, as palavras de Tom Peters parecem ganhar um sentido bem mais amplo:

“TODOS nós precisamos compreender a importância de criar marcas registradas. SOMOS os executivos-chefes de NOSSAS próprias empresas: EU S/A.”

 

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