| A falência do boca a boca |
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Antônio Inácio Ribeiro* Aquela que foi a mais falada, a mais barata, a mais eficiente, a mais forte e outras afirmações verdadeiras, está falindo pouco a pouco. Com isso muitos dos que contavam só com ela para melhorar ou conseguir clientela, estão começando a ter problemas. Nos dias atuais a tendência da maioria é ficar mais tempo em casa, muitos em frente da televisão, outros na frente da tela do computador e alguns para variar ou por não gostarem destes, optam pela telona com DVD. Em todas diminuindo a própria chance de se conversar e como tal matando o clima do boca a boca, inclusive o doméstico, que se não tinha muito efeito, incentivava os demais. Também colabora como determinante da sua diminuição o fato de hoje as mulheres, que eram quem mais faziam o boca a boca, em maior número deixaram os afazeres domésticos e entraram no mercado de trabalho. Os jovens e adolescentes, por conta da competitividade, agora tem mais aulas, além de cada vez falarem menos, como parte de uma nova cultura de menos se exporem. Os próprios vizinhos que antes se visitavam todos os dias e por conta disto davam mais oportunidade para se estabelecer o boca a boca, agora se visitam menos e por este motivo, conseqüentemente falam-se menos e desta forma, também, restringem cada vez mais as chances do boca a boca. Tudo isso sem contar o surgimento de novas culturas e hábitos, que ditam novos comportamentos. Por conta destes quem fala muito é rotulado(a) de fofoqueiro(a) e para não se expor demasiadamente, passa a falar cada vez menos e sempre só o essencial. O próprio hábito de jogar conversa fora quase se extinguiu nas capitais e hoje restringe-se ao interior. Para ir completando o quadro, a sociedade acostumou-se a falar mais de coisas ruins. Acidentes, roubos, desastres, atentados, mortes, catástrofes, falcatruas, golpes, sem contar os problemas climáticos, econômicos, morais, éticos e outros, que tomaram conta dos noticiários, deixando cada vez menos espaço para as coisas boas e construtivas, como o próprio boca a boca sempre foi. Tanto que hoje quem fala de coisas boas, muitas vezes é tachado de puxa saco ou se imagina ter interesses e por isto está falando bem de alguma coisa. Afora isto, perdeu-se o hábito de reconhecer os valores alheios. As qualidades possuídas pelos demais. Vivemos hoje o mundo do eu. Onde o meu é melhor que os demais, que muitas vezes são diminuídos, até para dar destaque do que é seu. Por tudo isso e por algumas outras razões que fatalmente estou esquecendo, o boca a boca diminuiu a ponto de quem depender só dele para se promover e a seus serviços, vai ver diminuída gradativamente a sua clientela. Principalmente a reposição por conta dos clientes que perdemos todos os dias, em função dos cada vez mais, novos profissionais que adentram ao mercado. Esta é uma das razões por que tanto alertamos para a necessidade de se buscar outros meios de promoção pessoal. Por esse motivo é que devemos melhorar o nosso marketing profissional e promover outras maneiras de marketing de relacionamento. E o novo hoje sem dúvida alguma são os meios interativos, que cresceram incrivelmente nos últimos tempos porque muitas pessoas saem menos, são cada vez mais individualizadas, para não falar individualistas e por conta disto estão cada vez mais plugadas aos seus computadores. E neste sentido cresceu a utilização dos e-mails e das páginas na Internet, como forma de se entrar na rede e participar dos novos meios de conquista de clientela. É provável que em breve se comece a falar de um novo método de conquista de clientes que bem poderia chamar-se de “tela a tela”, caracterizando bem o que antes se fazia por cima dos muros, dos portões ou dos bancos de praças e jardins. E com isso talvez estejamos introduzindo o conceito que irá caracterizar uma nova geração. Talvez passemos a ter o “boca a boca” realizado “tela a tela”, onde o computador, a informática, a interatividade e a Internet terão indiscutivelmente a capacidade de decidir quem é que vai tratar com quem. Antes se dizia quem viver verá. Hoje podemos dizer: quem é vivo está vendo. E nem precisa ser muito vivo. Basta não estar morto. Por ter confiado só no boca a boca.
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