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Raúl Candeloro*
Robert Dolan, professor de Harvard e autor de Power Pricing (um clássico sobre como estabelecer preços de produtos e serviços, infelizmente – e inexplicavelmente – ainda sem tradução no Brasil), escreveu um artigo sobre estratégia de marketing que é um clássico estudado em todos os cursos sérios de administração e gestão. Ele começa relembrando a máxima de Peter Drucker que diz as empresas têm duas e apenas duas funções básicas: marketing e inovação. Fica implícito que todo o resto é detalhe. O papel central do marketing (e, conseqüentemente, das vendas) surge do fato que marketing é justamente o processo pelo qual se cria valor para os clientes. Esse valor é criado atendendo às necessidades dos clientes. Logo, uma empresa – segundo Dolan – precisa se definir não pelos seus produtos ou serviços, mas pelos benefícios que oferece aos clientes. Produtos ou serviços são apenas maneiras de oferecer o benefício. (Diga-se de passagem que é um conceito parecido com o do Clayton Christensen, que defende que apenas “alugamos” um produto ou serviço temporariamente para obter um benefício). Ao criar esse benefício, a empresa passa a ter o direito de capturar parte do seu valor através do preço que cobra. Para permanecer viva, uma empresa deve sustentar este processo de criar e capturar o valor (lucro!) através da sua estratégia de marketing. Para facilitar, os estudiosos do assunto desenvolveram os famosos 5 C’s – cinco áreas que devem ser analisadas para ajudar no planejamento da nossa estratégia: 1. Clientes: Quem são e que necessidades têm? 2. Companhia: Quais são as habilidades e competências que temos para atender estas necessidades? 3. Concorrência: Quem mais compete conosco no atendimento destas necessidades? Quais seus pontos fortes e fracos? Colaboradores: Que perfil deve ter nossa equipe para atender estas necessidades? 4. Contexto: Quais fatores externos podem ajudar ou atrapalhar nosso crescimento? De acordo com Dolan, responder estas perguntas nos leva diretamente ao público-alvo desejado, ao posicionamento do produto/serviço e também ao marketing mix (os famosos 4 P’s – Produto-Serviço/Preço/Promoção- Propaganda/Praça-Distribuição). Se mais empresas se preocupassem com esta parte estratégica, com certeza teríamos menos vendedores apanhando de compradores todos os dias, ouvindo as mesmas reclamações de sempre e tendo que negociar apenas preço e prazo. Um dos motivos pelos quais passei a recusar palestras puramente motivacionais, por exemplo, foi porque 90% das vezes era convidado a motivar equipes cuja desmotivação vinha da incompetência da liderança da empresa entender os conceitos básicos das estratégias de marketing. Infelizmente, quem mais sofre com a burrice estratégica são justamente os vendedores, por isso muitas vezes sua desmotivação. Já escrevi sobre isto mas volto a reforçar: para vender mais, diretores comerciais e seus vendedores terão que ser cada vez mais estratégicos e entender de finanças (justificando a aquisição do seu produto ou serviço), marketing (posicionamento, preço, distribuição) e até mesmo gestão. Por exemplo, canso de ouvir vendedores dizerem que venderiam muito mais se a empresa baixasse os preços. Mas nunca ouviram falar em elasticidade de preços, não sabem como se calcula, nem tem a mínima idéia do que acontece com a lucratividade de uma empresa quando se dá 5 ou 10% de desconto, por exemplo. A lucratividade pode facilmente cair de 50 a 70% , dependendo das margens, mas ninguém entende isto. Às vezes, nem a liderança da empresa entende isto, remunerando a equipe por volume de faturamento, e não por lucratividade. Aí o circo está armado, fica todo mundo desmotivado e acham que o problema é de motivação. Não é – é incompetência mesmo. Incompetência invisível é a maior fonte de desmotivação que pode existir (quando ela é visível pelo menos podemos fazer alguma coisa). A única forma de sair desta armadilha é fazendo com que a empresa inteira cresça. Ou seja, estudando, investindo em educação e fazendo com que todo mundo na empresa entenda, da maneira mais clara possível, como é que se ganha dinheiro ali. Porque, acredite, pouca gente tem idéia. Se todos na empresa entenderem os 5 C’s já será um grande passo.
*Raúl Candeloro é palestrante e editor das revistas VendaMais®, Crescimento Pessoal & Motivação® e Liderança®, além de autor dos livros Venda Mais, Correndo Pro Abraço e Criatividade em Vendas. Formado em Administração de Empresas, é responsável pelos sites VendaMais® e www.gestaoemvendas.com.br. Atualmente faz mestrado de empreendedorismo no Babson College (www.babson.edu).
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