Qualidade de vida
Como ser feliz no mundo corporativo | Como ser feliz no mundo corporativo |
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Jerônimo Mendes*
1) A maneira mais fácil de conseguir aumento de salário é fazer algo diferente e produtivo. Pedir aumento pode até resolver, mas uma negativa pode se tornar uma verdadeira frustração, principalmente pelo fato de termos em mente de que sempre valemos mais do que ganhamos. Lembre-se de Ford: “Se dinheiro for a sua única esperança de vida você jamais a terá. A única esperança consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência”. A segunda maneira é mudar de emprego, atitude mais sensata do que passar a vida se lamentando. 3) O ser humano é naturalmente indissociável, portanto, as emoções da relação pessoal e da profissional estão intimamente ligadas. Procure equilibrar os dois lados. Ninguém sai de casa feliz deixando um filho doente com 40 graus de febre nas mãos da empregada assim como ninguém sai do trabalho feliz depois de levar uma “babada”. Em casa pensamos permanentemente nos problemas do trabalho e vice-versa. Fé, equilíbrio e paz de espírito são imprescindíveis. 4) No mundo corporativo, manda quem pode, obedece quem precisa, muda quem tem juízo. Isso não significa que você deve mandar tudo para o espaço no dia seguinte, mas, parafraseando Albert Camus, não existe dignidade no trabalho quando nosso trabalho não é aceito livremente. A relação de submissão existe e tende a ser mais dolorosa de acordo com o grau de aceitação que conferimos a ela. Conclusão: não trabalhe para empresas cujo dono é espiritualmente fraco. Seja mais forte do que ele e procure uma empresa compatível com o seu modo de viver e agir. 5) Se você sai de casa para o trabalho na segunda-feira indignado e já pensando na sexta-feira, possivelmente está no lugar errado. Lembre-se: fazer o que se gosta é diferente de gostar do que se faz. Eis uma excelente razão para você perseguir a primeira parte sem se descuidar da segunda, porém não se iluda, encontrar o lugar certo e a profissão certa é algo que demanda tempo e desprendimento. 6) Faça o que for possível para realizar o seu projeto de vida, mas seja ético. Fuja do sentimento de vingança, da perseguição, da inveja e da malícia que permeiam o mundo corporativo. Para crescer profissionalmente não é necessário puxar o tapete alheio nem viver grudado na cola do chefe (?). Existem maneiras inquestionáveis de demonstração da competência e do senso de contribuição. Você pode perder o emprego, mas a competência é algo que ninguém lhe tira. 7) Mais importante do que a pressão exercida no ambiente de trabalho, acredite, existe vida fora dele. Lembre-se que a família te espera em casa, são e salvo, de braços abertos, a menos que você seja um perfeito alienado e tenha casado com o trabalho. Nesse caso é uma questão de opção. Evite o perfil do tipo “my name is job”. Seu sobrenome tem mais valor do que aquele que está no seu crachá. 8) Nenhuma empresa tolera colaboradores desleais, portanto, honre seus superiores, subordinados, colegas e, principalmente, seus clientes. Tudo na vida é resultado e a vida também é feita de princípios. O fato de você conviver com pessoas de cores, credos e sexos diferentes exige muito mais perspicácia do que se imagina. Não se tolera mais apelidos constrangedores ou pejorativos do tipo “negão”, “japinha”, “careca” ou qualquer outra referência que soe desrespeito e discriminação. Respeito é o mínimo que se espera num ambiente onde a convivência não é tão simples quanto deveria. 9) Não tenha receio de trabalhar com subordinados melhores do que você. No passado os “chefes” temiam os profissionais com maior grau de conhecimento com medo de que esses lhes puxassem o tapete ou lhe fizessem sombra. Isso não acabou por inteiro, é fato, mas o verdadeiro líder é aquele que procura montar equipes com profissionais melhores do que ele tecnicamente, o que, em momento algum, há de lhe tirar o mérito. Ao contrário, torna-se uma grande oportunidade para mostrar suas verdadeiras habilidades como líder extraindo o que há de melhor do grupo. O verdadeiro líder confia nas pessoas, independentemente dos riscos, estimula os colaboradores ao crescimento profissional e sabe respeitar as diferenças. 10) Reconhecimento nem sempre vem com o trabalho duro, mas com o tempo. Passar a vida esperando esse bendito reconhecimento é uma heresia imperdoável que acaba em frustração, dor e tristeza. Reconhecimento é algo relativo e ao mesmo tempo subjetivo. Quantos “Ronaldinhos”, “Einsteins”, “Pelés” e “Madres Teresa de Calcutá” você conhece? Conta-se nos dedos. Trabalhe duro sem depender do reconhecimento alheio para não se frustrar. Reconheça você mesmo o seu valor, acorde cedo, levante os ombros, respire fundo e cresça. O resto é conseqüência. 11) Em momentos de crise, o importante é manter a lucidez e o foco. Seja humilde, deixe o orgulho de lado, não perca o contato com os amigos e não tenha vergonha de pedir. Pedir não ofende. Quando fui demitido pela primeira e única vez o mundo desabou, mas o importante foi manter a calma. O discurso de durão e a pose de orgulho não valem nada numa hora dessas. Lembre-se de um velho ditado dos nossos avós: é no andar da carruagem que as abóboras se ajeitam. Naquela ocasião eu me lembrei do Jack Welch, CEO da General Electric nos Estados Unidos, que afirmou: “até um pé no traseiro te empurra para frente”. 12) Passar a vida correndo atrás de uma profissão estável, tranqüila e segura é uma utopia. Ela não existe, portanto, o melhor a fazer é estar pronto para o mercado todos os dias. Estar pronto para o mercado significa manter o currículo atualizado, estabelecer um bom networking, dominar definitivamente um segundo idioma e jamais esquecer dos amigos, principalmente os de infância, adolescência e de faculdade. São eles que poderão ajudá-los nas horas mais difíceis, se os tiver em alta conta e puder realmente chamá-los de amigos. Desde criança ouvimos dizer que o Brasil é o país do futuro. Trinta anos depois ainda ouço a mesma coisa, mas o futuro nunca chega e continua testando nossa capacidade de reação através dos acontecimentos mais adversos possíveis. Esperar pelo futuro sem mudar de comportamento é alternar passivamente entre dias bons e ruins acreditando que no futuro tudo vai mudar. *Jerônimo Mendes é Administrador, Consultor e Palestrante. Autor do Livro Oh, Mundo Cãoporativo! Lições e Reflexões |
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