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Os sete pecados capitais em RH - O Quinto deles E-mail

Benedito Milioni

 

A luxúria! Nesse caso, foi preciso fazer uma pequena adaptação no termo, fugindo, pois, da sua concepção original e o trazendo-o um pouco mais próximo do contexto geral de RH. Nada que prejudique o entendimento correto do que seja a luxúria, porém o suficiente para chamar a atenção para uma forte tendência de comportamento na comunidade de RH: só tem valor o que seja luxuoso, caro, de ostentação, preferencialmente que tenha seu custo pago pela empresa.

Certa vez, em uma empresa multinacional, líder mundial no seu segmento, com faturamento ali pela casa dos 6 bilhões de dólares (pois é, essa dinheirama mesmo!) eu ministrava um curso sobre gerenciamento. No intervalo para café, só tinha café e uns biscoitinhos sem graça, simples e com gosto de "sei lá o quê". Perguntei onde estava o famoso "coffee-break" - aquele com doces, bolos, café com e sem açúcar, café descafeinado para os mais exigentes, leite, chás variados, sucos de frutas, pães, biscoitos doces e salgados, geléias, manteiga, tudo isso também nas versões diet e light, ao que me disse o gerente de Treinamento: "Nós preferimos investir em recursos técnicos, o dinheiro que seria perdido com mordomias e luxos que não têm a menor relação com a qualidade do ensino!".

E, realmente, as condições técnicas do centro de treinamento da empresa eram impecáveis! Já em empresas que mal têm um retroprojetor que funcione, o que se gasta em luxos e salamaleques nos eventos de RH, sempre, é claro, com o aval entusiasmado dos nossos coleguinhas do RH...

Almoços, jantares, precedidos por coquetéis e sucedidos por horas no bar, degustando-se finos licores, isso quando não se gasta uma fortuna em bebidas alcoólicas e ainda se tem que suportar a inconveniência dos que nela exageram, é uma das práticas avalizadas por RH, que entende ser o luxo "necessário", "motivador", "integrador das pessoas". Não é, definivamente não é!

Jogar dinheiro fora, o mesmo dinheiro que sabemos ser escasso e caro, com banalidades e meros mecanismos de consumo, agravado pelo fato desse dinheiro não ser de nossa propriedade e sim da empresa, pior ainda quando se trata de recursos públicos, é um pecado terrível quase sempre cometido por gente despreparada, ingênua ou incompetente em nível de 100%!

O escriba nada tem contra as confraternizações e algum conforto que se possa oferecer às pessoas nos diversos eventos de RH. Afinal, é muito divertida e enriquecedora a oportunidade de conviver com colegas de trabalho e partilhar as horas de conversa em torno de uma mesa. O que não lhe entra na cabeça é a relação que existe entre luxo, ostentação e comportamento perdulário, pago pelas empresas/instituições e as práticas de RH. Como não há relação alguma, pelo menos se considerada a relação custo/benefício, o que lhe fica é a sensação de se estar jogando dinheiro fora!



Os textos publicados não representam, necessariamente, a opinião dos responsáveis pelo site RH.com.br. Para informações: www.rh.com.br
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