Recursos Humanos
Uma nova visão do rh: recursos humorísticos! | Uma nova visão do rh: recursos humorísticos! |
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A alegria e o bom humor são importantíssimos motivadores de todas as esferas da vida, inclusive a motivacional. Floriano Serra
Na palestra de abertura do Fórum Líder RH, recentemente realizado, tive o privilégio de assistir a uma apresentação do talentoso Wellington Nogueira, o criador e líder dos “Doutores da Alegria”.
Fiquei muito feliz não só pela qualidade da palestra – que alternou momentos de profunda seriedade e emoção com outros de contagiante alegria – mas, sobretudo, pela semelhança de idéias, pensamentos e crenças entre as mensagens que ele e eu transmitimos, ainda que através de recursos e formas diferentes. O que ambos defendemos e divulgamos é o não mais questionado valor terapêutico, motivacional e produtivo da alegria e do bom humor em todas as esferas da vida, inclusive a organizacional.
A um certo momento da sua palestra, Wellington propôs um novo conceito para a área de Recursos Humanos que, confesso, pegou-me de surpresa num primeiro momento, mas que logo foi perfeitamente assimilada: RH como Recursos Humorísticos. Sem que a proposta seja seriamente avaliada, ninguém perceberá seu grandioso alcance. Vejamos.
A área de RH, salvo poucas e honrosas exceções, ainda é vista por muitas empresas como um “mal necessário”, ou seja, é uma área que “só dá despesas; não dá retorno ou lucro”. Porisso é mínimo o percentual de organizações nas quais o profissional de RH participa de Grupos e Comitês de decisões estratégicas do negócio. Não me perguntem de quem é a “culpa”. Não é este o tema deste artigo. Neste momento quero falar sobre a postura das áreas de RH.
Apesar de referir-se a recursos humanos, na verdade a área de RH costuma (ou é pressionada a) trabalhar, por um lado, à base de números, gráficos, estatísticas e controles –e, por outro, à base de Políticas, Leis, Normas e Regulamentos.
Justamente por isso é que, na grande maioria das empresas, o RH costuma ser chamado quando a organização precisa admitir, demitir, calcular custos rescisórios, reduzir despesas com treinamento e benefícios, negociar acordos com os sindicatos, terceirizar a segurança, limpeza e alimentação, etc. Claro que tudo isso faz parte das atividades de qualquer área de Recursos Humanos. A questão é: onde estão e onde ficam as ações voltadas especificamente para os “recursos humanos” no seu sentido amplo e essencial?
Onde está a preocupação com a felicidade, o bem estar e a qualidade de vida dos funcionários – ao conjunto dos quais se dá o nome de “empresa” ?
Não estou me referindo apenas aos exames médicos periódicos, cestas básicas, campanhas de vacinação, CIPAs, SIPATs e ISOs. Tudo isso é importante – mas não é só isso. Cuidar de pessoas no trabalho – sobretudo das pessoas que produzem os bens e serviços que satisfazem as necessidades do consumidor e assim remuneram os acionistas – é muito mais do que isso. Em poucas palavras, é criar, possibilitar e permitir alegria e felicidade no trabalho – e, se querem uma boa razão para isso, basta lembrar que funcionário alegre e feliz produz mais e melhor.
É aqui que entra a importância do conceito dos recursos humorísticos. No tradicional Aurélio, a expressão “humorístico” , dentre outros significados, é definida como “a capacidade de perceber, apreciar ou expressar o que é divertido” e sobretudo, é algo em que “há graça e espírito”. E sabem que expressões o Aurélio utiliza para definir “espírito”? Apreciem:
Inteligência e bondade acima do comum Imaginação, engenho, finura Ânimo Graça, humor Faculdade de entender, de conhecer e de aceitar as coisas (“aceitar” nos sentido de “estar receptivo a novas idéias”).
Observemos com atenção essas palavras. Na verdade, elas definem o perfil, a postura e o comportamento que os funcionários em geral esperam da área de RH de qualquer empresa. Agora, diga-me o leitor: de todas as empresas em que você já trabalhou, quantos RHs (áreas e pessoas) tinham ou têm aquele perfil? Perguntando de outra maneira: agora que se fala tanto em gestão por competências, quantos RHs (áreas e pessoas) você conheceu ou conhece que tinham ou têm as competências citadas acima?
Sem generalizações (porque felizmente há muitas e muitas exceções), todos nós sabemos que ainda há RHs que transmitem uma imagem de proibição e punição. Hoje, para qualquer funcionário, receber o recado de que deve comparecer ao RH desperta o sentimento inicial de medo, porque tem o significado inicial de punição ou de demissão. Estes RHs, são áreas e pessoas que, no conjunto, demonstram distanciamento,
superioridade, mal humor, tensão e estresse – por várias e várias razões que deverei abordar em outro artigo.
O quero lembrar aqui é do Papel e da Missão essencial do RH – que, aliás, nem todos têm claramente definidos e divulgados. Para defini-los, há certas palavras que devem constar necessariamente nesse Papel e nessa Missão: palavras como desenvolvimento de pessoas, qualidade de vida, motivação, bem estar, reconhecimento, comprometimento e, nas empresas de gestão mais moderna, alegria e felicidade.
Não há nada de errado por parte da empresa em esperar do RH uma atuação como “unidade de negócios” - o que, inclusive, vem sendo muito freqüente. Mas também não há nada de errado em cobrar dos gestores das demais áreas – finanças, produção, marketing, vendas, informática, etc., - que atuem como profissionais de RH – porque trabalham com pessoas. Todos atingem suas metas e resultados com e através de pessoas. E para que pessoas se tornem motivadas e comprometidas, não basta apenas promover a manutenção e o perfeito funcionamento da saúde dos seus corpos – como fazemos com a “saúde” das máquinas - mas também da sua composição essencial: corações e mentes – que se alimentam de alegria e felicidade. E, voltando à proposta do Wellington Nogueira citada no início, não há nada melhor para conseguir isso do que atribuir ao RH deste novo milênio o papel adicional de recursos humorísticos. Como disse “Patch” Adams, o médico inspirador dos “Doutores da Alegria”: “Em cada trabalho que tem de ser feito existe sempre um elemento de diversão. Se você achar a parte divertida, num estalar de dedos o trabalho se torna uma brincadeira”.
Penso que cabe ao RH dos novos tempos mostrar essa parte e, ao mesmo tempo, estimular a todos que a descubram.
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| "Não podemos dirigir o vento, mas podemos ajustar as velas!” Anônimo |
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